Desemprego atingiu menos os trabalhadores formais, mas até quando?

Cássia Almeida
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O estrago no mercado de trabalho provocado pela pandemia ficou evidente nos números que o IBGE divulgou nesta quinta-feira. Em apenas 90 dias, 8,9 milhões de trabalhadores perderam emprego no Brasil. Em média, por dia, quase 100 mil trabalhadores ficaram sem ocupação entre abril e junho, o auge da quarentena. Se a comparação for com o mesmo trimestre do ano passado, o tombo é de quase 10 milhões.

Enquanto alguns indicadores econômicos mostram que o fundo do poço foi no trimestre retratado na pesquisa de emprego do IBGE, há muita incerteza sobre isso em relação ao mercado de trabalho. Quem ficou sem trabalhar nesse período foram os conta própria, os que não têm carteira assinada e pequenos empresários informais.

Com a pandemia ainda por controlar, não se sabe se os trabalhadores formais, que são parcela menor dos expulsos do mercado, vão conseguir manter seus empregos após o fim das medidas de suspensão de contrato e redução de jornada que impõem estabilidade temporária. Reduzir a alíquota do FGTS de 8% para 6%, como quer o governo, talvez não tenha o efeito desejado de criação de vagas e ainda vai reduzir a poupança do trabalhador num momento de futuro incerto.

Os analistas ainda esperam aumento da taxa de desemprego nos próximos trimestres, já que ela ainda não captou totalmente o efeito das demissões. Se formos incluir a população que está na força de trabalho potencial — gente que gostaria de uma ocupação, está disponível para trabalhar, mas não tomou nenhuma providência para conseguir uma vaga, situação que caracteriza o desempregado — a taxa estaria em 25%.

Isso significa dizer que um quarto da nossa força de trabalho está sem ocupação no momento. Com tantos desempregados, fica difícil a atividade econômica reagir com mais força, diminuindo o ritmo de uma possível recuperação.