Desemprego cai, mas renda do trabalho tem queda histórica com alta da inflação

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A taxa de desemprego ficou em 13,2% no trimestre encerrado em agosto, uma queda em relação aos 14,6% registrados em maio, que serve de base de comparação. Ainda assim, há 13,7 milhões de pessoas em busca de uma oportunidade, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) Contínua, divulgada nesta quarta-feira (dia 27).

E a renda do trabalho teve queda histórica devido ao avanço da inflação. Hove recuo tanto em relação ao trimestre anterior, como na comparação com o mesmo trimestre do ano passado (queda de 10,2%), em plena pandemia.

A taxa de desemprego também recuou em relação à registrada no trimestre encerrado em julho, de 13,7%, quando havia 14,1 milhões na fila do emprego.

Mas a queda no número de desempregados foi acompanhada pela deterioração do mercado de trabalho. O número de trabalhadores por conta própria bateu novo recorde e a informalidade avançou em ritmo maior que o emprego formal mais uma vez.

As vagas sem carteira tiveram um avanço de 10,1% ante maio, alcançando 10,8 milhões de pessoas. Já o número de empregados com carteira subiu 4,2%, para 31 milhões. A conta só inclui o setor privado e não contabiliza as domésticas.

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O trabalho por conta própria, por sua vez subiu 4,3% e atingiu novo recorde de 25,4 milhões de brasileiros nesta condição. Em relação ao mesmo trimestre do ano passado, o contingente avançou 3,9 milhões, alta de 18,1%.

“Parte significativa da recuperação da ocupação deve-se ao avanço da informalidade. Em um ano a população ocupada total expandiu em 8,5 milhões de pessoas, sendo que desse contingente 6 milhões eram trabalhadores informais”, explica a coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, Adriana Beringuy.

Ela ressalta também que, embora tenha havido um crescimento bastante acentuado no período, o número de trabalhadores informais ainda se encontra abaixo do nível pré-pandemia e do máximo registrado no trimestre fechado em outubro de 2019, quando tínhamos 38,8 milhões de pessoas na informalidade.

Apesar do crescimento da população ocupada no trimestre até agosto, o rendimento médio real dos trabalhadores recuou 4,3% frente a maio e reduziu 10,2% em relação ao mesmo trimestre de 2020, ficando em R$ 2.489. Foram as maiores quedas percentuais da série histórica, em ambas as comparações.

Diante do avanço da vacinação e da reabertura da economia, economistas esperam que a ocupação cresça de forma significativa nos últimos meses deste ano. O desafio daqui para a frente, porém, será o ritmo dessa retomada.

Enquanto a população economicamente ativa (que está empregada ou desempregada, mas à procura de trabalho) deverá voltar ao nível pré-pandemia de forma mais intensa, o aumento da população ocupada deverá crescer em menor magnitude.

Com isso, a expectativa é que o país conviva com níveis elevados de desocupação por bastante tempo, já que há um descompasso entre oferta e demanda de mão de obra.

Na terça-feira, o governo divulgou a abertura de mais de 300 mil vagas com carteira assinada, segundo dados do Cadastro Geral de Empregos. A Pnad considera vagas formais e informais e apresenta dados trimestrais. Já as informações do Caged refletem números mensais apenas de empregos formais.

Enquanto a pesquisa do IBGE investiga todos os tipos de ocupação, nos mercados formal e informal, além de trabalhadores por conta própria e funcionários públicos, o Caged só considera aqueles que trabalham com carteira de trabalho assinada.

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