Desemprego diminui e informalidade cresce no Brasil

O Brasil registrou uma taxa de informalidade de 39,7% no mercado de trabalho no último trimestre (Getty Image)
O Brasil registrou uma taxa de informalidade de 39,7% no mercado de trabalho no último trimestre (Getty Image)
  • Taxa de desemprego atingiu o menor patamar em 7 anos;

  • Níveis de precarização trabalhista também aumentaram;

  • Desempregados aceitariam receber menos para conseguir alguma renda.

Depois de sete anos em constante crescimento, a taxa de desemprego finalmente voltou a cair. Apesar de parecer uma notícia boa, é necessário analisar os dados sobre precarização para entender o movimento trabalhista que aconteceu nos últimos anos.

A porcentagem de pessoas que buscam por uma colocação no mercado de trabalho ficou em 8,9% em agosto. Isso significa que 9,7 milhões de brasileiros procuram uma oportunidade profissional. No começo deste ano, o Brasil aparecia com a 9ª pior estimativa de desemprego (13,7%), muito acima da média global prevista para 2022 (7,7%).

Neste contexto, qualquer chance de conseguir renda para pagar as contas era válida. Uma pesquisa recente realizada pela consultoria de RH Luandre apontou que 90% dos candidatos a emprego aceitariam ganhar menos que o desejado para voltar ao mercado de trabalho.

Não é só de uma remuneração justa que os trabalhadores estavam dispostos a abrir mão. Entre os ouvidos pelo levantamento, 76% consideram realizar uma mudança de carreira como alternativa para driblar a situação, enquanto apenas 15% permanecem resistentes em manter a área de atuação.

O desespero por renda rapidamente foi refletido na precarização. O Brasil registrou uma taxa de informalidade de 39,7% no mercado de trabalho no último trimestre. O índice representa um recorde de 39,307 milhões de trabalhadores atuando sem direitos trabalhistas, de acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), realizada pelo Instituto Brasileiro de Economia e Estatística (IBGE).

Em comparação com um ano atrás, o contingente de pessoas atuando sem registro ou regulamentação cresceu 5,6%, ou seja, 2,101 milhões a mais de trabalhadores atuando nesta condição.