Desemprego na pandemia sobe a recorde de 14 milhões de desempregados em novembro

Raphaela Ribas
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Agência O Globo

RIO - O número de desempregados bateu recorde durante a pandemia e atingiu 14 milhões de pessoas em novembro, segundo dados da Pnad Covid, divulgada hoje pelo IBGE.

O contingente é 2% acima do registrado em outubro, mas, se comparada com maio, quando a pesquisa começou, houve um aumento de 38,6% na população desocupada, que são aquelas que estavam sem trabalhar, mas aptas e procurando emprego.

Com isso, a taxa de desemprego ficou em 14,2% em novembro. Em outubro foi de 14,1% e em maio, de 10,7%. O aumento da população desocupada foi mais forte na região Nordeste, onde a taxa subiu de 17,3% para 17,8%.

Por outro lado, esta foi a primeira vez que a taxa de ocupação teve alta desde maio, de 0,3%.

A coordenadora da pesquisa, Maria Lucia Viera, explica que o resultado de novembro pode ter sido impacto pelo movimento sazonal dos empregos temporários e que esse movimento no Nordeste pode ter relação com a redução do auxílio emergencial.

— A gente vê algumas coisas em relação ao Nordeste. Lá, as pessoas tiveram medidas mais restritivas então podem ter tido mais dificuldade de sair para procurar emprego. É também uma região mais informal, que assim como a Região Norte, foi a mais afetada na pandemia, então pode ter alguma dificuldade de essas pessoas estarem voltando a atividades regulares — diz a coordenadora da pesquisa, Maria Lucia Viera.

Ela sublinha que o Nordeste foi a região com mais pessoas recebendo o auxílio emergencial do governo federal no país e a que mais sentiu a redução do benefício, que será suspenso:

— Isso pode estar fazendo com que essas pessoas precisem retornar ao mercado de trabalho, porque pode estar relacionado. Agora, a gente não tem a informação se essas pessoas que recebiam auxilio já estavam ocupada ou não.

O desemprego é pior para as mulheres (17,2%) e para os pretos e pardos (16,5%). No caso de homens, a taxa de desocupação é de 11,9% e para brancos, de 11,5%.

Esta é a última pesquisa da série iniciada em maio para acompanhar os efeitos na pandemia sob alguns aspectos, como trabalho, testagem e isolamento.