Desemprego bate recorde. E o que seu candidato tem a propor?

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Os dados da Pnad Contínua sobre desemprego divulgados nesta sexta-feira (27) pelo IBGE dão uma amostra dos desafios que os prefeitos eleitos e/ou reeleitos neste ano assumirão a partir de 1º de janeiro de 2021.

Segundo o levantamento, a taxa de desocupação subiu no terceiro trimestre e chegou a 14,6% da população. Um recorde desde o início da série histórica, divulgada desde 2012. O nível de ocupação (47,1%) é o mais baixo desde o primeiro levantamento.

Isso significa que 14,1 milhões de pessoas estão desempregadas no país --1,3 milhão a mais do que no trimestre anterior. É como se uma cidade do tamanho de Campinas (SP) tivesse entrado na fila por emprego em apenas três meses. Uma tragédia de dimensões pandêmicas.

Embora dependa de um conjunto de fatores e articulações entre entes federativos, bancos de fomento e investimentos privados, a situação joga luz para o que dizem os candidatos a prefeito das principais cidades do país sobre o assunto. Parte do que propõe pode ser conferida em seus programas de governo, que podem ser acessados por qualquer eleitor com uma simples busca.

Em São Paulo, o atual prefeito, Bruno Covas (PSDB), é econômico sobre o tema. Em uma seção dedicada a propostas, afirma que a “aplicação inteligente dos recursos” no combate a enchentes em sua gestão permitiu a entrega de mais de 200 novas obras – incluindo 15 piscinões e diversas intervenções de combate a enchente, que “juntamente com outras ações do Programa de Metas geraram 104 mil novas oportunidades de trabalho e outros milhares de empregos indiretos”.

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Em outro trecho, Covas estima que seu projeto de PPP da Habitação vai gerar 50 mil empregos para ajudar na recuperação econômica pós-pandemia.

Guilherme Boulos, candidato do PSOL, propõe combater o desemprego e pobreza nos territórios periféricos por meio do fortalecimento das iniciativas de economia popular, como cooperativas populares, e das cadeias produtivas constituídas pelas ações culturais de jovens negros e negras.

Também pretende instituir um programa de Renda Solidária, implementar frentes de trabalho com contratação de mão-de-obra direta ou por meio de cooperativas para serviços de limpeza urbana, saneamento básico, cuidado a idosos, reflorestamento e reparação de danos ambientais. Pretende também apostar na produção agrícola orgânica para merenda escolar e abrir canais de financiamento e crédito para pequenos comerciantes, indústrias e cooperativas da economia solidária.

No Rio, Eduardo Paes (DEM) tem uma seção, em sua página de campanha, dedicada ao tema. Ele promete evitar o fechamento de micro e pequenas empresas impactadas pela pandemia, por meio de um fundo garantidor de crédito e redução impostos. Quer ainda capacitar 100 mil profissionais até o fim do mandato para trabalhar em áreas como turismo, audiovisual, saúde, tecnologia e construção civil e firmar parcerias com o governo federal e a iniciativa privada para revitalizar áreas degradadas da cidade, além de criar frentes de trabalho voltadas para a população que vive em comunidades, resgatando programas como Guardiões dos Rios, Gari Comunitário e Agente Comunitário de Saúde.

Paes quer implementar ainda um programa de geração de emprego e renda voltado especificamente para as mulheres chefes de família que hoje têm dificuldade de retornar ao mercado de trabalho por conta de problemas de saúde ou da falta de creches.

Já Marcelo Crivella (Republicanos), o atual prefeito, afirma em seu programa entregue à Justiça Eleitoral que o atual cenário econômico do país e as consequências dos eventos da pandemia de 2020 requerem “criatividade, talento e reinvenção do novo normal, inclusive na economia”.

Ele promete implementar políticas de economia solidária e fortalecimento das redes de consumo e produção local e atrair para o Rio polos de economia criativa.

Propõe instituir o Banco Carioca de Fomento, em parceria com o BNDES, para oferecer linhas de microcrédito para os pequenos empreendedores, criar um pacote de incentivos para atração de empresas privadas para o Rio, estabelecer redes locais de produção e consumo estimuladas pela aquisição de insumos de pequenos produtores e promover 100 mil novos empregos diretos com investimentos em obras de infraestrutura em parceria com o governo federal.

Crivella propõe também oferecer carência de até um ano para pequenos comerciantes pagarem aluguel de edifícios de propriedade do município e estabelecer certificação para empresas cariocas que invistam na cidade e estimulem a cadeia de consumo e produção local. (A certificação permitiria benefícios fiscais às empresas, por exemplo).

Segundo a Pnad, dez unidades da federação tiveram aumento da taxa de desemprego no terceiro trimestre. No estado do Rio, o índice de desocupação chegou a 19,1%. Em São Paulo, é de 15,1%. Nos próximos meses, o desempenho da economia nas capitais será determinante para puxar os índices para baixo ou para cima do estado, sobretudo nas regiões metropolitanas.

Ao menos na capital fluminense, não faltam propostas para geração de emprego e renda. A aplicação, na prática, são outros 500.