Desemprego recua em setembro e renda sobe pela primeira vez desde 2020

A taxa de desemprego no Brasil caiu para 8,7% nos três meses encerrados em setembro, a menor desde junho de 2015. O número de trabalhadores com carteira bateu recorde, assim como a população ocupada. Mas ainda há 9,5 milhões de pessoas buscando uma oportunidade no país, segundo dados da Pnad Contínua (Pesquisa por Amostra de Domicílios Contínua), divulgada pelo IBGE nesta quinta-feira.

A pesquisa mostra também que o rendimento cresceu tanto na comparação trimestral (3,7%) quanto na anual (2,5%), chegando a R$ 2.737,00. É a primeira vez que a renda cresce ante igual período do ano anterior desde junho de 2020, quando o país vivia uma das fases mais críticas da pandemia, com fechamento do comércio.

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A taxa de desemprego havia recuado para 8,9% no trimestre encerrado em agosto. No trimestre encerrado em junho, que serve de base de comparação, o indicador estava em 9,3%.

O mercado de trabalho tem dado sinais de melhora nos últimos meses, com sucessivos recordes de ocupação. O contingente de pessoas ocupadas atingiu 99,3 milhões, avanço de 1% ante o trimestre anterior, ou seja, mais 1 milhão de pessoas conseguiram emprego.

Houve avanço em formalização, com aumento de 1,3% no número de brasileiros empregados com carteira de trabalho assinada na comparação com os três meses anteriores, para 36,3 milhões de pessoas. Esse contingente subiu 8,2% na comparação anual.

Em paralelo, o número de empregados no setor privado atuando sem carteira assinada foi de 13,2 milhões, o maior da série histórica, iniciada em 2012, acumulando alta de 13%, ou mais 1,5 milhão de pessoas, no ano.

Informalidade segue perto de 40%

Ao todo, 39,4% da população ocupada trabalham na informalidade, recuando dos 40% registrados no trimestre anterior, somando 39,1 milhões de trabalhadores.

As atividades que registraram crescimento foram Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, 1,8% ou 315 mil pessoas, e Outros serviços, com aumento de 6,8% ou mais 348 mil pessoas. As demais ficaram estáveis.

A expectativa é que a criação de vagas desacelere no quarto trimestre. Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, já mostram esse movimento. Em setembro, foram abertos 278.085 postos de trabalho, número inferior ao de agosto.

O Caged traz dados mensais e se restringe a vagas com carteira assinada. As informações são repassadas ao ministério pelas empresas. Já a Pnad compreende os mercados formal e informal de trabalho e compila informações trimestrais, a partir de pesquisa feita por funcionários do IBGE.