Desemprego recua e vira alento para Bolsonaro em meio ao mar (ainda) revolto

Brazil's President Jair Bolsonaro reacts during a ceremony to announce new measures for Brasil Empreendedor (Entrepreneurial Brazil) credit program at the Planalto Palace in Brasilia, Brazil May 25, 2022. REUTERS/Adriano Machado
Foto: Adriano Machado/Reuters

A divulgação, pelo IBGE, dos números do desemprego no país, que no primeiro trimestre ficaram em 10,5% (ou 11,3 milhões de pessoas), reforça as perspectivas de que, ao menos neste primeiro semestre, a economia dará algum sinal de reação antes de soluçar novamente.

É este o movimento que analistas de diversos institutos desenham até o fim do ano em razão da guerra na Ucrânia, iniciada no fim de fevereiro e que entrou em seu terceiro mês, da crise dos combustíveis e da desaceleração da atividade econômica na China devido aos novos casos de Covid-19. Essa fatura ainda está sendo processada e virá perto da eleição.

A menção ao calendário das urnas aqui não é à toa, já que parte das medidas adotadas pelo governo para minimizar o impacto da crise, com cortes de impostos, perdão de dívidas do Fies, liberação de 13º do INSS e de parte do FGTS, por exemplo, vão ao encontro das preocupações do presidente Jair Bolsonaro com suas chances de reeleição em outubro.

Uma disputa com um candidato em busca de um novo mandato é quase sempre uma disputa sobre a forma como se olha um copo cheio de água até a metade. O governante, claro, dirá que o copo está cheio e seus adversários, que está vazio. O “quase” aqui não é detalhe. Essa não será uma eleição convencional.

O julgamento nas urnas do atual governo não levará em conta apenas o que foi feito e o que poderia ter sido feito. Será um plebiscito sobre duas experiências de gestão.

Bolsonaro poderá dizer que o número de desempregados tem caído na comparação com o primeiro trimestre de 2021, quando atingiu 14,9% da população. Não será mentira.

Ele e sua equipe econômica tendem a celebrar também que o índice divulgado nesta terça-feira (31/5) é o menor para o trimestre encerrado em abril desde 2015.

Seu principal adversário, em contrapartida, poderá argumentar que em seu último ano como presidente a taxa era de 5,7%.

E Bolsonaro poderá contra-argumentar dizendo que 96,5 milhões de pessoas estão empregadas hoje no país, o maior índice da série histórica iniciada em 2012.

O problema, que pode e certamente será explorado pelos rivais, é que ainda assim o rendimento médio do trabalhador, hoje de R$ 2.569, é ainda menor do que o apurado no primeiro trimestre de 2021. Ou seja: há mais oportunidades de trabalho, mas paga-se cada vez menos por ele.

Tudo isso é colocado em perspectiva diante da escalada da inflação e da queda do poder de compra.

(Parêntesis. Esse debate virtual leva em conta, obviamente, um confronto de propostas, números e ideias que dificilmente ocorrerá entre os dois favoritos da disputa durante a eleição. Fecha parêntesis).

Na última pesquisa Datafolha, Bolsonaro viu o ex-presidente Lula abrir vantagem na corrida presidencial, com chances de vitória no primeiro turno (54% a 30% dos votos válidos).

Nada menos do que 53% dos eleitores disseram ao mesmo instituto que a situação econômica tem muita influência na hora de decidir o voto. Influência sempre tem, claro, mas dessa vez a maioria dos entrevistados (52%) afirma que sua situação econômica piorou nos últimos meses.

Para o candidato à reeleição, o quadro apresentado pelo IBGE serve como alento em meio a um mar revolto apontado pela pesquisa. Mas a tábua de salvação ainda está longe da vista.

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