Abe pedirá a Trump que negocie com Kim a eliminação de todos seus mísseis

Tóquio, 9 abr (EFE).- O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, disse nesta segunda-feira que em sua viagem aos Estados Unidos na próxima semana pedirá ao presidente Donald Trump que negocie com Pyongyang a eliminação de todos seus mísseis e não somente os de longo alcance.

Abe explicou que a eliminação dos mísseis intercontinentais da Coreia do Norte, com capacidade para chegar aos EUA, "não faz sentido" se o regime não abandonar também "seus mísseis de curto e médio alcance que são uma ameaça para o Japão", segundo declarações coletadas pela agência "Kyodo".

O chefe do Governo japonês viajará para os Estados Unidos entre 17 e 20 de abril para tratar com Trump sua política comum com relação a Pyongyang antes da cúpula de maio entre o presidente americano e o líder norte-coreano, Kim Jong-un.

Durante um discurso no Parlamento, o primeiro-ministro do Japão voltou a defender que não seja dado nem "um respiro" ao regime stalinista, que sejam mantidas as sanções e que não outorgue "outras recompensas simplesmente por aceitar dialogar".

Na cúpula entre EUA e Coreia do Norte, que será a primeira reunião mantida por líderes de ambos países no cargo, está previsto que seja tratada a desnuclearização do regime, segundo confirmaram neste fim de semana fontes da Casa Branca a veículos de imprensa americanos.

Embora nem a data, local e agenda do encontro tenham sido revelados, Abe disse hoje que pedirá a Trump que fale na reunião do problema dos sequestros de cidadãos japoneses realizados pelos serviços de inteligência norte-coreanos há décadas.

O Japão sustenta que entre 1977 e 1983 pelo menos 17 japoneses foram sequestrados pela Coreia do Norte para substrair suas identidades ou para que os espiões tivessem acesso à cultura e idioma japoneses.

Em 2002, Pyongyang reconheceu vários sequestros e devolveu cinco pessoas ao Japão, e afirmou que os outros 12 ou faleceram ou nunca pisaram em solo norte-coreano, um relato com o qual o regime dá por fechado o assunto e do qual o Executivo japonês desconfia. EFE