Embaixadora dos EUA na ONU diz que Assad tem que deixar o poder

Washington, 9 abr (EFE).- A embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Nikki Haley, assegurou neste domingo que o presidente da Síria, Bashar al Assad, deve deixar o poder para obter uma solução estável no país árabe, o que supõe uma mudança de tom na política externa de Washington em relação a sua posição de duas semanas atrás.

"Se observamos suas ações, se olhamos para a situação, vai ser muito difícil ver um governo pacífico e estável com Assad", disse Haley em entrevista à "CNN".

Este discurso supõe um distanciamento de declarações anteriores da própria Haley e do secretário de Estado, Rex Tillerson, que tinham afirmado que uma mudança de regime na Síria não era uma prioridade para o governo do presidente Donald Trump.

A mudança de postura se consolidou depois do ataque com armas químicas da última terça-feira contra província síria de Idlib, no qual morreram mais de 80 pessoas e do qual Washington responsabiliza Assad, que resultou em uma resposta americana com o bombardeio com 59 mísseis Tomahawk contra uma base aérea síria na quinta-feira.

Haley assegurou hoje que "tirar Assad do poder não é a única prioridade" e lembrou que os Estados Unidos também tentam acabar com os jihadistas do Estado Islâmico (EI) e com "a influência iraniana".

A diplomata disse que os Estados Unidos não consideram possível uma Síria em paz com Assad no poder e que o governo Trump quer "avançar para uma solução política", algo que considerou inevitável.

A embaixadora também assegurou que a inteligência americana tem provas da autoria de Assad no ataque com armas químicas da semana passada, mas que estas evidências estão classificadas.

Na sexta-feira, Haley disse no Conselho de Segurança das Nações Unidas que seu país está "disposto a fazer mais" para conter Assad, que se comprometeu em 2013 a entregar todo seu arsenal químico aos Estados Unidos, com mediação da Rússia, para sua destruição.

Hoje, a embaixadora acrescentou que Trump "está pronto para agir" de maneira unilateral e isso dependerá dos passos que o governo de Assad vai dar no futuro. EFE