Desespero e raiva após a passagem do furacão Ida na Louisiana

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Telhado desabado, portão de garagem quebrada, cesta de basquete virada: Lxchelle Arceneaux observa com desespero nesta segunda-feira (30) os estragos causados pelo furacão Ida em sua casa na cidade de LaPlace, no oeste de Nova Orleans.

"Meus filhos ficaram apavorados", disse à AFP a mulher de 46 anos na soleira de sua casa. "Nunca tinha ouvido rajadas de vento assim".

Arceneaux se refugiou com seu marido e os filhos em seu quarto quando o vento quebrou uma janela coberta com uma placa de madeira e fita adesiva.

“A água começou a vazar do teto. Os alarmes de incêndio dispararam”, lembra.

Embora tenham tentado retirar a água com baldes, “não tínhamos recipientes suficientes”, acrescenta ela em meio ao som de geradores que abafam sua voz na cidade ainda sem eletricidade.

Por volta das 19h30 locais (22h30 no horário de Brasília) de domingo, uma parte do teto desabou, despejando trombas d'água em sua sala de estar. Bolhas de umidade ainda eram visíveis nas paredes brancas nesta segunda-feira.

- Exasperação -

Arceneaux está furiosa com as autoridades que, segundo ela, não forneceram informações suficientes sobre a trajetória do furacão e o perigo que corria a cidade de 30 mil habitantes, localizada na margem leste do rio Mississippi.

Sabíamos que havia um furacão, mas não que o olho do ciclone se movia em nossa direção”, explica com desespero. "Recebemos o alerta de inundação apenas quando o furacão já estava aqui."

A cidade de St-John Baptist emitiu ordens de evacuação voluntária antes da chegada de Ida, que atingiu a região com ventos de mais de 240 quilômetros por hora.

“Teria preferido evacuar a viver esta experiência”, lança Arceneaux.

Seu vizinho, Carlo Barber, de 22 anos, também foi surpreendido por Ida, que inundou sua casa com 12 centímetros de água e jogou telhas em seu jardim.

“Quando a casa encheu, entrei na minha caminhonete e passei a noite no estacionamento da Home Depot”, conta o estudante.

“Foi pior do que eu pensava. Quando o furacão Isaac passou por aqui no ano passado não tivemos água na casa”, lembra ele. "Não estávamos prontos para Ida, mas da próxima vez estaremos".

- Cidade submersa -

Inúmeras avenidas de LaPlace estavam submersas na água nesta segunda-feira, ou bloqueadas por linhas de alta tensão, árvores ou postes de energia derrubados pelo vento.

“Resgatamos mais de cem pessoas”, estima Jonathan Walker, do departamento do xerife de St. John, que percorre a cidade em um caminhão com o exército.

Entre os resgatados está Anderson Martínez, de 17 anos, que sai de um helicóptero da Guarda Nacional dos Estados Unidos que acaba de pousar em um estacionamento de uma área comercial com uma dúzia de pessoas a bordo, incluindo três crianças pequenas.

Anderson, seu irmão de 14 anos e sua mãe se refugiaram em um hotel da cidade durante a passagem de Ida. Mas quando quiseram sair do alojamento perceberam que seus arredores estavam inundados, impossibilitando a travessia.

“A água subiu pelo menos dois metros”, exclama ele enquanto empurra um carrinho de supermercado onde estão seus pertences dentro de sacolas plásticas.

Agora eles buscam chegar em casa para descobrir se ela ainda está de pé.

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