'Desgraça', 'erro': por que médicos criticaram procedimento usado em primeiro caso de concussão da Copa

A edição da Copa do Mundo no Catar será marcada por, entre outras coisas, uma atenção especial da FIFA em relação às lesões na cabeça, as concussões: cada time tem direito a cinco substituição por jogo, mas caso um jogador deixe o campo com esse tipo de diagnóstico, a alteração não vai entrar para a conta.

Entretanto, na primeira partida em que ela teve que ser usada, médicos e especialistas criticaram o procedimento utilizado. Após um choque na cabeça na partida contra a Inglaterra, o goleiro do Irã, Ali Beiranvand chegou a ficar desacordado por alguns momentos mas, após receber um tratamento, foi autorizado a voltar para o campo.

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A FIFA, entretanto, determina que qualquer sinal ou sintoma de dano ao cérebro ou lesão por concussão é o suficiente para retirar o jogador do jogo. Minutos depois de ter autorizado a sua permanência em campo, o próprio goleiro voltou a cair em campo e pedir a substituição.

Durante o jogo, médicos e especialistas já criticaram a forma como o episódio foi tratado.

"Uma total desgraça a permanência do goleiro iraniano! É irrelevante que ele tenha sido substituído depois, mesmo que poucos minutos. O primeiro teste do protocolo de concussão da Fifa e um fracasso", publicou a ONG Headway, especializada em ajudar pacientes com esse tipo de lesão.

Neurocientista e CEO da Concussion Legacy Foundation, também focada na prevenção de lesões cerebrais no esporte, Chris Nowinski também criticou como a situação foi administrada.

"O goleiro do Irã caiu depois de um choque de cabeças com seu companheiro. Foi liberado apenas para cair no chão minutos depois e pedir por uma substituição. A Copa do Mundo teve um começo desastroso no gerenciamento de concussão. Cria um exemplo que coloca dezenas de milhões de jovens jogadores em risco. Vergonhoso", disse

No Brasil, o médico Renato Anghinah é um dos maiores especialistas nesse tipo de lesão. Na avaliação do brasileiro, a lesão do goleiro foi mal gerenciada.

— É importante dizer que não precisa desacordar, apagar para configurar concussão. Se estiver tonto, desorientado, vertigem, dor de cabeça imediata. Tudo isso já caracteriza a concussão.

Segundo ele, o tempo de atendimento e o fato do goleiro ter ficado desacordado mesmo que por poucos momentos já deveriam ser o suficiente para retirá-lo de campo.

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— Desconfiou, tem que tirar. Não tem que ficar mais 5 minutos, tentar continuar. Não é uma torção de tornozelo. Não tem essa. Teve concussão, obrigatoriamente tem que tirar do jogo. Por quê? Porque existem os efeitos tardios da concussão, que podem ser depois que ele para jogar, mas também naquele momento em que o jogador está jogando. O jogador, quando toma a primeira pancada, já tem uma inflamação. Mas se toma uma segunda pode ter um efeito esse explosivo desse inchaço, levando a uma lesão definitiva ou até incapacitante — explica Anghinah.