Desigualdade está na raiz dos problemas do país, analisam participantes do Festival LED

Um Brasil com investimento em escolas, treinamento constante de professores, banda larga para todos e até inteligência artificial a serviço do aprendizado das crianças é viável e pode virar realidade em dez anos. A previsão foi feita ontem por uma das maiores futuristas do mundo, Amy Webb, que abriu as atividades do segundo e último dia do Festival LED - Luz na Educação. A primeira edição do evento, na Praça Mauá, Rio de Janeiro, encerrou com a conclusão de que há um mundo de possibilidades pela frente desde que desafios e desigualdades sejam vencidos.

— Só há uma maneira de lidar com isso: infraestrutura para tecnologia (em escolas) e financiamento governamental. Não entendo por que nos EUA, no Brasil e em muitos lugares no mundo a educação não é prioridade dos governos — afirmou Amy Webb, que sustentou as críticas mencionando a percepção equivocada de que os municípios e os pais devem assumir esse papel. — Isso é ridículo. Para resolver os problemas causados pelo acesso desigual à educação na pandemia, é preciso tornar a conectividade gratuita ou muito barata em toda a parte.

CEO do Future Today Institute, Webb deu o tom do dia porque outros palestrantes também abordariam a questão da desigualdade em inúmeros aspectos e como elas se combinam para emperrar o salto educacional do país.

Na mesa “Tecnologias digitais e analógicas: aprendendo com o melhor dos dois mundos”, foi ressaltada a importância, ainda que seja um longo caminho, de as escolas aliarem “o giz, a lousa, o celular e o computador” para uma educação híbrida e eficaz, fundada na fusão do analógico e do digital.

— Há um grande desafio para que os professores pensem a tecnologia digital no processo de formação. Os dois anos longe da sala de aula ajudaram a impulsionar o debate de que a tecnologia favorece tanto o professor quanto o aluno, que cria mais interesse e aprende com outras dinâmicas — explicou Helena Singer, líder da Estratégia de Juventude América Latina na Ashoka.

Crianças pobres são foco

Uma das vozes que mais se levantam contra a desigualdade, o médico Drauzio Varella voltou a defender que crianças pobres precisam ter as mesmas oportunidades das ricas, que frequentam creches de qualidade e que, desde pequenas, têm contato com um ambiente propício para desenvolver habilidades e aprendizagens. Drauzio afirmou ainda que a diminuição de desigualdade é urgente e exige um plano educacional de longo prazo:

— Quanto mais cedo as crianças puderem a ter acesso ao aprendizado e ao convívio com professores motivados, melhor.

Drauzio esteve no encontro “Quando tudo começa: formando cidadãos desde a infância”, junto com a professora da Universidade Federal da Bahia Bárbara Carine, que defendeu a tese de que a educação infantil é uma das etapas mais importantes da trajetória escolar das crianças, mas, apesar disso, não seria vista com seriedade pela sociedade em geral.

— A falta de seriedade a gente vê nos salários pagos aos profissionais, que são muito baixos — criticou.

O Festival LED - Luz na Educação é realizado pela Globo e pela Fundação Roberto Marinho em parceria com a plataforma “Educação 360 – Conferência Internacional de Educação”, da Editora Globo, com patrocínio de Invest.Rio e apoio do Coppead. Segundo os organizadores, o evento é um dos três pilares do Movimento LED. Os outros dois são promover iniciativas na educação e a relação contínua com a comunidade.

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