Desinformação sobre vacinação em crianças é inflada por Bolsonaristas

·3 min de leitura
  • Apoiadores do presidente usam as redes sociais para compartilhar informações falsas sobre imunização contra a Covid-19 em crianças

  • Reportagem do Yahoo! Notícias já desmentiu publicação com desinformação sobre imunização em crianças

  • Aprovação da vacina em todas as faixas etárias é feita após apresentação de estudos que comprovem a segurança e eficácia do medicamento

Desde que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a aplicação da vacina da Pfizer contra Covid-19 em crianças de 5 a 11 anos, informações falsas sobre a aplicação do imunizante em crianças têm sido disseminadas por negacionistas nas redes sociais. Além do órgão sanitário, especialistas das sociedades brasileiras de Infectologia (SBI), de Imunologia (SBI), de Pediatria (SBP), de Imunizações (SBIm) e de Pneumologia e Tisiologia também participaram da avaliação para a liberação da vacina para pessoas dessa faixa etária.

Contudo, não é a primeira vez que grupos antivacina compartilham mensagens nas redes sociais desencorajando a imunização contra a Covid-19 e espalham boatos questionando a segurança da vacina da Pfizer dizendo que ela não é recomendada para adolescentes, o que não é verdade. O Yahoo! Notíciasdesmentiu essa peça de desinformação.

Em junho, a Anvisa passou a autorizar a aplicação do imunizante para pessoas com 12 anos de idade ou mais. Na nota, o órgão diz que a aprovação do uso da vacina em adolescentes foi feita “após a apresentação de estudos desenvolvidos pelo laboratório que indicaram a segurança e eficácia da vacina para este grupo'. Os estudos foram desenvolvidos fora do Brasil e avaliados pela Anvisa.” O imunizante da Pfizer é o único que pode ser aplicado em menores de idade no Brasil.

A Anvisa é responsável pela avaliação e aprovação de medicamentos no Brasil. Para um imunizante ser liberado no Brasil o órgão analisa como ele foi produzido, os estudos e embasamentos técnicos que concluíram pela segurança e eficácia do medicamento. Após a liberação do uso em seres humanos, a Anvisa também faz o monitoramento para possíveis eventos adversos.

O vídeo de Robert Malone alegando que o imunizante provoca danos ao organismo de crianças foi compartilhado em canais antivacina e também replicado nas redes sociais por apoiadores do governo Bolsonaro. O Yahoo! Notícias desmentiu a peça de desinformação. Tal suposição falsa foi reforçada pela deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) em suas redes sociais. Em seus canais oficiais, a parlamentar deu espaço para o negacionismo contra a imunização ao gravar um vídeo ao lado de um médico que corrobora as teorias falsas do vídeo de Malone.

Em vídeo nas redes sociais, a deputada Bia Kicis (PSL-DF) comentou sobre declaração desinformativa sobre vacinação em crianças. (Foto: Facebook/Reprodução)
Em vídeo nas redes sociais, a deputada Bia Kicis (PSL-DF) comentou sobre declaração desinformativa sobre vacinação em crianças. (Foto: Facebook/Reprodução)

O conteúdo enganoso com teor semelhante também foi replicado por Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Na publicação, o filho do presidente repostou uma alegação falsa da médica Mayra Pinheiro, também conhecida como Capitã Cloroquina — por recomendar o medicamento comprovadamente ineficaz contra a Covid-19. Na publicação, Pinheiro sugere que a vacinação em crianças seria um “experimento científico”, o que não é verdade.

Post de Mayra Pinheiro, conhecida como Capitã Cloroquina, foi replicado nas redes sociais do filho do presidente Bolsonaro (Foto: Twitter/Reprodução)
Post de Mayra Pinheiro, conhecida como Capitã Cloroquina, foi replicado nas redes sociais do filho do presidente Bolsonaro (Foto: Twitter/Reprodução)

A autorização para vacinação em crianças já foi concedida pelo Food and Drug Administration (FDA) e pela European Medicines Agency (EMA) — agências regulatórias de saúde dos Estados Unidos e União Europeia —, além de países como Costa Rica, Colômbia, República Dominicana, Equador, El Salvador, Honduras, Panamá, Peru e Uruguai.

Levantamento do Aos Fatos revelou que somente no Telegram, reduto de desinformação e da extrema direita, desinformação sobre Covid-19 soma cerca de 3 milhões de visualizações em canais antivacina.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos