Desligamentos por morte de trabalhadores com carteira assinada sobem 71,6%, no primeiro trimestre, diz Dieese

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O desligamento por morte de funcionários com carteira assinada subiu 71,6% entre o primeiro trimestre de 2020 e 2021, segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese, divulgado nesta sexta-feira (dia 14). A pesquisa, com base no Caged, mostra que foram registradas 22,6 mil mortes de trabalhadores registrados neste ano, contra 13,2 mil no ano passado.

O Dieese destaca o aumento de mortes de profissionais da saúde nos três primeiros meses de cada ano. A morte de médicos cresceu 204%, saindo de 25 para 65. Já de enfermeiros foi de 116%, de 25 para 54. Nas atividades de atenção à saúde, o crescimento foi de 75,9%. Na educação, o crescimento foi de 106,7% e em transporte, armazenagem e correio, de 95,2%. No setor de informação e comunicação o aumento foi de 124,2%, e eletricidade e gás 142,1%.

A economista do Dieese Rosângela Vieira destaca que, embora não haja nos dados analisados a causa da morte dos trabalhadores formais, a curva de crescimento dos óbitos por Covid-19 é semelhante à observada nos desligamentos por morte destes empregados. A economista observa ainda que as funções que concentram o maior número de casos possuem baixa remuneração, o que traz consequências ainda mais dramáticas para as familias destes trabalhadores:

— Estas são atividades que geram ocupação com menores salários, e o salário deles tem mais importância dentro das famílias porque núcleos mais vulneráveis. Vai se refletir diretamente na renda da familiar e, com alto índice de desemprego, a remuneração era ainda mais importante. Além disso, muito possivelmente a Previdência não vai garantir pensão por morte equivalente ao salário dos trabalhadores — avalia Rosângela.

O Amazonas foi o estado onde houve a maior ampliação de desligamento por morte 437,7%, especialmente nos meses de janeiro e fevereiro, período em que atravessou uma crise sanitária sem precedentes, inclusive com falta de oxigênio para os pacientes.

No estado de São Paulo, o mais populoso do país, os desligamentos por morte cresceram 76,4%, passando de 4,5 mil para 7,9 mil. Já no Rio de Janeiro, somente entre fevereiro e março deste ano, o número de desligamentos cresceu 42%. As atividades que registraram o maior número de casos foram condomínios prediais, incluindo portaria e limpeza, comércio varejista, restaurante, e segurança privada.

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