Deslizamento na Colômbia pode se repetir em outros 385 locais do país (estudo)

Socorristas buscam vítimas em Mocoa, Colômbia, no dia 2 de abril de 2017

O devastador deslizamento ocorrido na cidade de Mocoa, na Amazônia colombiana, pode se repetir em outros 385 locais do país, segundo um estudo da Universidade Nacional (UN) da Colômbia divulgado nesta segunda-feira.

"Se não forem tomadas as medidas efetivas correspondentes, o fato lamentável ocorrido em Mocoa pode se repetir em 385 (lugares) situados em zonas de influência de rios", alertou a agência de noticias da UN em um comunicado.

O deslizamento de terra de sexta-feira após a cheia de três rios, que cobriu de lama, pedras e troncos a cidade de Mocoa, capital do departamento de Putumayo, deixou ao menos 262 mortos e uma quantidade similar de feridos.

"Situações de risco de inundação súbita ou deslizamentos se apresentam em outras populações do sopé" em municípios no centro e sul do país, "as quais se situam sobre os ápices dos leques aluviais de rios torrenciais que descem da cordilheira", explicou o geólogo da UN Germán Vargas Cuervo, citado no comunicado.

Os rios de sopé se caracterizam por formar na zona de saída das cordilheiras para as planícies amplos leques aluviais que indicam a súbita e torrencial descarga de rochas e sedimentos em grande velocidade.

As pesquisas indicaram que 385 centros urbanos, em um total de cerca de 2.440 na Colômbia, estão localizados nas ribeiras dos rios e muitos deles dentro dos "leitos maiores do rio" ou canais de mobilidade do leito.

Esta condição os expõe a deslizamento devido à sua proximidade da montanha, pois estão sujeitos a "frequentes inundações súbitas" por chuvas de alta intensidade e duração, que "descarregam sobre seu leito maior um grande volume de blocos rochosos, sedimentos de areia e lama", segundo o estudo.