Deslocamento de pessoas na Colômbia aumenta 256% devido à violência

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(Fev/2020) Soldados e policiais fazem patrulha em Medellín

O deslocamento de pessoas devido à violência na Colômbia aumentou 256% no primeiro semestre, em comparação com o mesmo período de 2020, informou a Defensoria do Povo nesta terça-feira.

Entre janeiro e junho, 44.290 pessoas tiveram que fugir de casa, contra 13.912 que foram obrigadas a fazê-lo em 2020, devido ao recrudescimento da violência que se seguiu ao processo de paz de 2016 com a extinta guerrilha das Farc, apontou o órgão estatal, que zela pelos humanos direitos.

Durante a apresentação dos números, a Defensoria ressaltou que o fenômeno se aproxima dos níveis da década de 1990, quando os paramilitares avançaram a ferro e fogo sobre as zonas guerrilheiras, em uma espiral de violência que transformou a Colômbia no país com mais deslocamentos internos no mundo, segundo a ONU.

A Colômbia vive um novo ciclo de violência protagonizado por grupos armados que disputam o controle dos espaços e atividades deixados pelos antigos rebeldes das Farc após os acordos de paz. Em partes remotas do país, onde prevalece sobretudo o narcotráfico, os combates entre criminosos ou com o Exército obrigam centenas de famílias a fugir, em deslocamentos forçados em massa, explicou a Defensoria.

Os departamentos mais afetados por esse fenômeno são alguns dos que se encontram próximos ao Equador: Nariño, Valle del Cauca e Cauca, seguidos por Chocó e Antioquia, além do Norte de Santander e Arauca, os dois últimos na fronteira com a Venezuela.

Dissidentes que se afastaram do acordo de paz, guerrilheiros do Exército de Libertação Nacional (ELN) e grupos de origem paramilitar disputam milhares de hectares de cultivos ilegais e as rotas de saída da cocaína para a América Central e os Estados Unidos, principalmente.

Apesar do combate às drogas por cinco décadas, a Colômbia é o maior exportador mundial de cocaína. Grupos armados também lutam pela receita proveniente da exploração ilegal de ouro.

Outro fenômeno que preocupa a Defensoria é o confinamento de populações devido ao conflito interno. Cerca de 36 mil pessoas, principalmente negros e indígenas, foram forçadas a permanecer em suas comunidades no primeiro semestre, para proteger suas vidas e evitar o recrutamento forçado de menores e as minas terrestres.

Ao longo de seis décadas de conflito, cerca de 8 milhões de pessoas se deslocaram, o que representa 16% da população atual do país (50 milhões), de acordo com o registro estatal de vítimas.

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