Desmatamento da Amazônia brasileira bate recorde em outubro

·2 min de leitura
Foco de incêndio criminoso na Amazônia, em Labrea, no estado do Amazonas, em 15 de setembro de 2021 (AFP/MAURO PIMENTEL)

A área desmatada na Amazônia brasileira alcançou 877km2 em outubro, um nível sem precedentes para este mês - revelam dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), nesta sexta-feira (12).

O recorde é anunciado dias depois de o governo de Jair Bolsonaro, muito criticado por sua política ambiental, ter anunciado metas climáticas mais ambiciosas durante a conferência COP26, que acontece em Glasgow.

Na contramão destes objetivos, o sistema de alerta de desmatamento na Amazônia brasileira registrou, no mês passado, o nível mais alto para um mês de outubro desde que este controle começou a ser feito, em 2016.

A destruição foi 5% maior do que a marca do período de 2020.

Desde o início do ano, o desmatamento, atribuído principalmente às atividades ilegais de garimpo e pecuária, avançou em cerca de 7.880 km2. Isso foi quase o mesmo que o registrado no mesmo intervalo temporal em 2020, quando a área perdida esteve perto de 7.890 km2.

No início do mês, o INPE informou que o número de incêndios em outubro se situou em 11.549, abaixo dos 17.326 registrados no mesmo período de 2020.

Entre as novas metas, o gigante sul-americano antecipou em dois anos, de 2030 para 2028, o limite para eliminar o desmatamento ilegal em seu território, que abriga 60% da floresta amazônica.

Além disso, Bolsonaro assinou, junto com mais de 100 líderes mundiais, o compromisso de deter o desmatamento e a degradação da terra até 2030.

"Assinar ou endossar os diferentes planos e acordos não muda a realidade do chão da floresta. O desmatamento e as queimadas continuam fora de controle, e a violência contra os povos indígenas e população tradicional só aumenta", disse o porta-voz da campanha do Greenpeace na Amazônia, Rômulo Batista, citado em um comunicado.

Ambientalistas e opositores colocam o aumento do desmatamento na conta de Bolsonaro, favorável à expansão das atividades agropecuárias e garimpeiras, e acusado de cortar recursos de organismos de preservação ambiental.

Desde que o presidente de extrema direita assumiu o poder, em 2019, a Amazônia perdeu cerca de 10.000 km² de floresta por ano (quase a superfície da Jamaica), frente a cerca de 6.500 km² por ano na década anterior.

Segundo um relatório publicado pelo coletivo de ONGs Observatório do Clima, as emissões de CO2 do Brasil aumentaram 9,5% ano a ano em 2020, contra uma redução média de 7% no mundo, resultante da pandemia.

mls/app/tt

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos