Desmatamento da Amazônia: novos números põem em dúvida promessas do Brasil na COP26, diz imprensa internacional

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Desmatamento na Amazônia
Segundo dados oficiais, área desmatada na floresta foi de 13.235 km² entre agosto de 2020 e julho de 2021, alta de 22% em relação a 2019 e maior índice em 15 anos

A divulgação dos dados que apontam que o desmatamento na Amazônia brasileira aumentou, atingindo a maior taxa desde 2006, ganhou ampla repercussão na imprensa internacional, que levantou dúvidas sobre se o Brasil conseguirá cumprir o que prometeu na COP26, a conferência do clima da ONU ocorrida recentemente em Glasgow, na Escócia.

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a área desmatada na floresta foi de 13.235 km² entre agosto de 2020 e julho de 2021, alta de 22% em relação a 2019 e maior índice em 15 anos.

Os números são do relatório anual do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), considerado mais preciso para medir as taxas anuais.

Diante do aumento do desmatamento, ambientalistas acusaram o governo federal de omitir os dados durante a COP26, quando o Brasil se comprometeu a reduzir o desmatamento ilegal a partir do ano que vem, zerando-o em 2028 — a meta anterior era 2030.

Gráfico de série histórica do desmatamento da Amazônia
Gráfico de série histórica do desmatamento da Amazônia

Segundo o jornal britânico Financial Times, os números "levantam novas questões sobre o compromisso de Brasília em acabar com a destruição da maior floresta tropical do mundo", em reportagem assinada pelo correspondente Bryan Harris.

"Os dados cruéis vêm poucas semanas depois que o Brasil recebeu aplausos por seus compromissos na cúpula da COP26 em Glasgow, incluindo a promessa de erradicar o desmatamento ilegal até o final desta década, se não antes", escreveu Harris.

"Embora saudadas por diplomatas, as promessas foram recebidas com ceticismo de ativistas ambientais, que destacaram que o presidente Jair Bolsonaro sinaliza regularmente seu apoio aos que estão destruindo a floresta", acrescentou.

Na mesma linha, o também britânico Guardian, com base em informações da agência de notícias Reuters, disse que os novos dados minam "as garantias do presidente Jair Bolsonaro de que o país está reduzindo a extração ilegal de madeira".

Já a emissora pública alemã DW lembrou que Bolsonaro assumiu o cargo com "promessas de desenvolver a Amazônia".

"Seu governo enfraqueceu as autoridades ambientais e apoiou medidas legislativas para afrouxar a proteção da terra".

Para o francês Le Monde, "Nada parece impedir o desmatamento da parte brasileira da Amazônia".

"A maior floresta tropical do mundo continua encolhendo, apesar das promessas feitas pelo governo de Jair Bolsonaro na COP26", diz o jornal, com base em informações da agência de notícias AFP.

Segundo o diário, "este é o terceiro ano consecutivo que o desmatamento aumenta desde a ascensão ao poder do presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro, que tem sido alvo de críticas internacionais por enfraquecer a vigilância dos ecossistemas amazônicos e defender atividades extrativistas em áreas protegidas".

O Le Monde lembra ainda que, desde que Bolsonaro assumiu o governo, o Brasil desmata a uma taxa anual de 10 mil km² "o equivalente à superfície do Líbano".

O também francês Le Figaro pontuou que "o desmatamento na Amazônia brasileira aumentou quase 22% em um ano, ultrapassando 13 mil km², um recorde inigualável em 15 anos que lança dúvidas sobre a vontade declarada do governo Jair Bolsonaro de reverter a tendência", escreveu o jornal, também com base em informações da AFP.

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