Desmatamento na Amazônia bate recorde para mês de outubro em reta final de governo Bolsonaro

Vista aérea de área desmatada da Amazônia em Manaus

Por Gabriel Araujo

SÃO PAULO (Reuters) - O desmatamento na floresta amazônica atingiu um novo recorde para o mês outubro, mostraram dados nesta sexta-feira, com a destruição florestal acelerando à medida que o país passa pela transição do governo do presidente Jair Bolsonaro para o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, mais favorável à preservação da Amazônia.

Dados preliminares de satélite do governo coletados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostraram que 903,86 km² foram desmatados na região no mês passado, o maior nível para o período desde que o rastreamento começou em 2015 e um aumento de 3,1% na comparação com outro do ano passado.

De janeiro a outubro, foram desmatados 9.494 km², o equivalente a uma área mais de 12 vezes o tamanho da cidade de Nova York e também um recorde para o período, superando em 12,7% o recorde anterior de 2019.

Lula prometeu em sua campanha conter o desmatamento na Amazônia reforçando a aplicação da lei. Ele tomará posse em 1º de janeiro com a saída de Bolsonaro, que revogou proteções ambientais durante seu mandato.

Estatísticas anuais divulgadas no ano passado mostraram que o desmatamento já havia atingido uma máxima de 15 anos sob Bolsonaro.

O Palácio do Planalto e o Ministério do Meio Ambiente não responderam imediatamente a um pedido de comentário.

Mariana Napolitano, gerente de Ciências do WWF-Brasil, disse que já esperava que o desmatamento aumentasse durante o período de transição, destacando como os alertas de incêndio dispararam desde que Lula venceu o segundo turno da eleição em 30 de outubro.

"Isso já era esperado nesse período de transição de governo, numa sensação entre as pessoas que lucram com a ilegalidade de que há uma janela de oportunidade aberta e de que ela está se fechando. Esses números são realmente assustadores", disse.

Os alertas de incêndio nos primeiros dez dias de novembro quase corresponderam aos relatados em todo o mês de 2021, mostraram dados do Inpe. A temporada de queimadas na Amazônia, quando as chuvas diminuem, geralmente ocorre entre agosto e setembro.