Desmatamento na Amazônia chega a 3ª maior marca para o mês de outubro

***ARQUIVO***APUÍ, AM, 20.08.2020 - Fiscal do IPAAM vistoria um desmatamento recente no município de Apuí, no sul do Amazonas. (Foto: Lalo de Almeida/Folhapress)
***ARQUIVO***APUÍ, AM, 20.08.2020 - Fiscal do IPAAM vistoria um desmatamento recente no município de Apuí, no sul do Amazonas. (Foto: Lalo de Almeida/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Assim como tem acontecido desde o começo de 2022, a Amazônia teve desmatamento significativo em outubro. Os 813,2 km² de mata derrubada são o terceiro maior valor para o histórico recente do Deter, programa do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), com início em 2015.

A taxa de desmate no mês passado ainda deve aumentar, porém, considerando que o dado do Inpe só recebeu atualização até 28 de outubro.

O número vem a público às vésperas da COP27, a conferência da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre mudanças climáticas, em Sharm el-Sheikh, no Egito. Mais uma vez, o desmatamento será um tema sensível para o governo Jair Bolsonaro (PL) na conferência -que deve procurar, quando possível, evitar o assunto e focar no Brasil como um país de energias verdes.

Espera-se para breve também a divulgação da taxa Prodes de desmatamento, o programa do Inpe que mede o desmate anual no bioma. No ano passado, o dado do Prodes já estava disponível durante a COP26, mas só foi divulgado pelo governo Bolsonaro depois do evento.

O Deter não tem o objetivo de medir desmatamento, mas, sim, de auxiliar políticas públicas de combate ao desmate. Porém, a partir dos seus dados é possível observar tendências de destruição.

Desde o início de 2022, pelo menos, os dados mensais de desmate apontados pelo Deter têm sido elevados e, em vários casos, os mais elevados do histórico recente para um dado mês. Janeiro, fevereiro, abril, junho e setembro foram recordes, por exemplo. Agosto ficou pouco abaixo do recorde de 2019, primeiro ano do governo Bolsonaro.

Vale mencionar que todos os maiores números mensais de desmatamento registrados pelo Deter ocorreram sob a administração de Bolsonaro. Os dados do histórico recente têm início em 2015, quando houve uma atualização nos sensores do programa Deter que impossibilita uma comparação adequada com anos anteriores, onde havia uma precisão inferior.

Bolsonaro, desde o início de seu governo, tem minimizado a importância dos dados de desmatamento e até mesmo acusado o Inpe de estar a serviço de outros interesses. Uma dessas situações de acusações sem provas levou à exoneração de Ricardo Galvão.

Na época, o presidente havia afirmado que os dados do Inpe não correspondiam à verdade e sugeriu que Galvão poderia estar a "serviço de alguma ONG." Ricardo Galvão, que concorreu ao posto de deputado federal na última eleição, mas não foi eleito, respondeu aos ataques.

Apesar de antes criticar os dados do Inpe e afirmar que a maior parte da Amazônia está intocada --o que é falso--, durante os debates para a eleição presidencial, Bolsonaro usou tais dados para afirmar que o desmatamento e as queimadas era maiores durante governos anteriores.

A afirmação não chega a ser falsa, mas falta contexto. Enquanto outros governos, em geral, receberam uma situação com desmate mais elevado, houve ações que derrubaram os níveis de destruição. Enquanto isso, durante o governo Bolsonaro, o país viu os níveis de desmate explodir e ultrapassar mais de 10 mil km² de mata destruída por ano.