Desmatamento na Amazônia em outubro cresceu 50% em relação ao mesmo mês em 2019, diz Inpe

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Foto: Roberto Stuckert Filho - O Globo
Foto: Roberto Stuckert Filho - O Globo

O Brasil registrou 836,2 km² de desmatamento na Floresta Amazônica em outubro, indicam números do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). De acordo com a série histórica do sistema Deter, que monitora o bioma em tempo real, é o pior índice no período desde 2015, quando o mecanismo de alertas diários do Inpe passou a operar. Trata-se de um aumento de 50,6% em relação ao mesmo mês no ano passado, quando o monitoramento por satélites identificou 555,2 km² de áreas devastadas na mata.

O desmatamento no mês passado é o equivalente a quase três vezes o município de Belo Horizonte. Os piores números foram registrados no Pará (397,7 km²), seguido de Rondônia (134,5 km²), Mato Grosso (114,4 km²), Amazonas (88,7 km²), Acre (63 km²), Maranhão (19 km²) e Roraima (16,5 km²). Os números do Inpe levam em conta o balanço fechado de outubro disponível na plataforma Terra Brasilis, que compila os alertas de desmatamento do Deter.

A série histórica é revisada ao final do ano por outro sistema do instituto, o Prodes, que usa imagens de satélites com maior resolução. Historicamente, os números do Deter são mais conservadores, uma vez que suas imagens de menor resolução são utilizadas para orientar o Ibama e os governos federal e estaduais a combater ações criminosas no bioma.

O acumulado do desmatamento na Amazônia Legal de janeiro a outubro chega a 7.899 km², ainda segundo números do Deter.

Em um comunicado, o Greenpeace, ONG que se dedica à defesa da preservação ambiental, atribuiu a escalada no desmatamento da Amazônia à falta de uma política ambiental no Brasil e lembrou que o bioma registrou índices históricas de queimadas, que costumam suceder a temporada de derrubada da floresta.

“Não é só o desmatamento que está fora de controle. Em outubro, foram 17.326 focos de calor na Amazônia, 120% mais do que no ano passado. As queimadas e incêndios florestais e o desmatamento são a duas faces da mesma moeda: o que está acontecendo na floresta é o reflexo da falta de uma política ambiental no país”, sublinhou Rômulo Batista, porta-voz de Amazônia do Greenpeace Brasil, por meio da nota divulgada à imprensa.

Os índices de desmatamento na Amazônia tem levado fundos de investimento, grandes companhias e governos a pressionar o Brasil. No ano passado, Alemanha e Noruega chegaram a suspender seus respectivos financiamento no Fundo Amazônia e o governo Jair Bolsonaro foi alvo de críticas dentro e fora do país pela política ambiental adotada em meio ao recrudescimento do problema.Os anos de 2019 e 2020, que coincidem com a primeira metade do mandato do presidente, já registram os piores números do sistema Deter desde a sua estreia.

Um estudo divulgado neste mês no periódico científico Global Change Biology, conduzido por cientistas brasileiros e britânicos, descobriu que o desmatamento é tão crítico na Amazônia que as chamadas florestas secundárias, nascidas em áreas desmatadas, não conseguem compensar o dano ambiental. Elas não conseguem se desenvolver em ritmo e volume necessários para absorver significativamente o carbono oriundo do desmatamento e ajudar no controle de mudanças no clima. O trabalho concluiu que menos de 10% do carbono foi absorvido pelas florestas secundárias.

Além disso, conforme mostrou O Globo no mês passado, o Ibama gastou menos de 40% de seu orçamento reservado para fiscalização, controle e combate ao desmatamento e às queimadas até o fim de setembro, a despeito dos índices históricos do fogo no Pantanal e do desmatamento recocrde na Amazônia Legal.