Desmatamento recorde em outubro contradiz discurso do Brasil na COP26

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***ARQUIVO***APUÍ, AM, 20.08.2020 - Desmatamento no município de Apuí, no sul do Amazonas. (Foto: Lalo de Almeida/Folhapress)
***ARQUIVO***APUÍ, AM, 20.08.2020 - Desmatamento no município de Apuí, no sul do Amazonas. (Foto: Lalo de Almeida/Folhapress)

GLASGOW, ESCÓCIA (FOLHAPRESS) - A área de alertas de desmatamento em outubro foi a maior para o mês em cinco anos, mostram dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) divulgados nesta sexta-feira (12).

Segundo o sistema Deter, do Inpe, foram derrubados 877 km² de floresta amazônica, o maior número para outubro desde que o levantamento começou a ser feito, em 2016. O índice ficou 5% acima do de outubro de 2020.

O número contradiz o discurso do governo Bolsonaro, que, nas reuniões e palestras durante a COP26, afirmou que o desmatamento ilegal já estava sendo combatido com aumento de recursos e de patrulhamento.

Procurado para falar sobre o motivo do aumento no desmate, o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, não havia respondido ao pedido da reportagem até as 11h30 (horário local, 8h30 no Brasil).

A delegação brasileira vinha sendo criticada por ativistas climáticos por não divulgar o Prodes, dado oficial do desmatamento, também medido pelo Inpe. Com base em números de agosto de um ano a julho do ano seguinte, ele costuma estar disponível no começo de novembro.

A falta de controle no corte ilegal da floresta pode prejudicar as negociações feitas na conferência climática pelo Itamaraty, que foi elogiado por adotar uma posição mais flexível e procurar consensos que permitissem concluir a regulamentação do Acordo de Paris.

"As emissões acontecem no chão da floresta, não nas plenárias de Glasgow", afirmou Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima. "E o chão da floresta está nos dizendo que este governo não tem a menor intenção de cumprir os compromissos que assinou na COP26."

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