Desmoronamento em gruta no interior de SP deixa nove mortos

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ALTINÓPOLIS, SP, E RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O desabamento de uma gruta na madrugada deste domingo (31) em Altinópolis, no interior de São Paulo, deixou nove pessoas mortas e uma ferida, de acordo com as autoridades responsáveis pelo resgate.

O grupo participava de um treinamento para bombeiros civis na gruta Duas Bocas, quando o teto do local desmoronou. De acordo com o Corpo dos Bombeiros, no total 28 pessoas estavam no local no momento do desabamento, sendo dois instrutores.

"O grupo estava acampando dentro da gruta. Por uma série de fatores, houve um descolamento do teto da gruta em cima de parte dessas pessoas", afirmou o tenente coronel da Polícia Militar Rodrigo Quintino, coordenador da Defesa Civil na região

Ainda segundo a corporação, a pessoa que foi retirada do local com vida estava com fraturas e hipotermia, mas não há mais detalhes sobre seu estado de saúde. As outras 18 pessoas que estavam no grupo inicial escaparam do acidente sem ferimentos graves.

De acordo com a Prefeitura de Altinópolis, cinco pessoas desse grupo de 18 chegaram a ser levadas para o Hospital de Misericórdia da cidade com ferimentos leves. Todas já tiveram alta.

O primeiro boletim sobre o caso afirmou que eram 12 vítimas e três socorridos, mas a informação foi alterada por volta das 14h para dez vítimas.

Assim que o acidente foi confirmado, por volta das 3h, bombeiros e policiais da região e de Minas Gerais (a cidade fica próxima da divisa com o estado) foram enviados para ajudar no resgate. A chuva forte e a dificuldade de acesso para chegar até a gruta, que fica no final de uma trilha de 1,5 km, atrapalhou o trabalho.

"É um local restrito, tenho que atuar com poucos bombeiros, porque há risco de novo desabamento. Está em uma condição muito insegura, fizemos um trabalho de escoramento para tentar tirar as vítimas", afirmou o major Rodrigo Moreira Leal, do comandante interino do agrupamento de Ribeirão Preto, responsável pelo resgate.

Segundo ele, a ação de salvamento começou ainda de madrugada e seguiu por todo o domingo —a confirmação sobre a última morte ocorreu no início da noite. As operações de busca foram encerradas na sequência.

Cinco corpos já foram retirados da gruta e levados por helicóptero —devido à baixa visibilidade de noite, os quatro corpos restantes devem ser levados a pé.

No total, foram mobilizadas 20 viaturas e 75 bombeiros para ajudar no resgate. Familiares das vítimas estão no local em busca de informações. Dos nove mortos, ao menos sete eram de Batatais, que fica a 30 km de Altinópolis.

O prefeito da cidade, Juninho Gaspar, afirmou que as vítimas atuavam como bombeiros voluntários e inclusive auxiliaram no combate aos incêndios que atingiram a região há cerca de 45 dias.

"Sentimento de imensa tristeza no município de Batatais. É uma tragédia sem precedentes", disse ele, que está no local para acompanhar a operação de resgate. A prefeitura anunciou luto oficial de três dias e ofereceu o ginásio municipal para um funeral coletivo —ainda não há uma confirmação oficial se o convite foi aceito.

Além dele, o prefeito de Altinópolis também foi ao local. A Secretaria de Segurança Pública do estado afirmou que uma força-tarefa foi montada para atuar no resgate.

"Um grupo de especialistas em resgate, acompanhado por técnicos da Coordenadoria Estadual da Defesa Civil e um geólogo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), decolou em um King Air da PM às 11h30 do aeroporto Campo de Marte, em São Paulo, rumo ao município para reforçar o trabalho", afirmou a pasta, em nota.

O governador João Doria (PSDB) afirmou numa rede social que acompanha o resgate.

A Real Life Treinamentos, empresa responsável pelo exercício que era conduzido na gruta, informou que uma das mortas é Débora Silva Ferreira, 24. Ainda não há detalhes sobre as outras vítimas.

Tainá Abreu, uma das sócias da Real Life Treinamentos, disse que o treinamento que estava sendo feito na gruta era exatamente um exercício para resgate de vítimas em áreas remotas. Segundo ela, não era a primeira vez que práticas eram realizadas no local.

Segundo Sebastião Francisco de Abreu Neto, outro sócio da empresa, a suspeita é que uma fogueira possa ter provocado o colapso.

Leal, do Corpo de Bombeiros, porém, disse que ainda é cedo para apontar exatamente o que causou o acidente e que é preciso esperar o laudo da perícia sobre o caso.

Já Quintino, da Defesa Civil, afirmou que as autoridades não foram informadas sobre o exercício que estava sendo feito na gruta e criticou a ação. "Esse tipo de treinamento não devia ser feito. É um nível de treinamento que requer um grau de profissionalismo alto. Quem tem a competência para fazer esse tipo de ação são as equipes militares".

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