Desnutrição e mortalidade no campo de Yida, no Sudão do Sul

Refugiados recebem alimentos durante distribuição de comida em campo de refugiados do Sudão do Sul, em 23 de junho

Cerca de 55 mil refugiados encontram-se no campo de Yida, no Sudão do Sul, assolada por uma forte mortalidade, anunciou nesta quinta-feira a organização Médicos Sem Fronteiras.

A população deste campo previsto para acolher 15 mil pessoas mais do que triplicou desde fevereiro, devido em parte a uma forte afluência de refugiados antes da temporada de chuvas.

"Fugiram dos Montes Nuba e de Kordofão-Sul, da falta de alimentos e dos bombardeios", ressalta André Heller-Pérache, chefe da misão dos MSF no Sudão do Sul, contactado por telefone. A ONG faz um apelo para que sejam realizadas doações (www.msf.fr/dons).

Mais de 170 mil pessoas fugiram dos combates entre as forças de Cartum e os rebeldes, que explodiram no verão de 2011 nas regiões fronteiriças entre o Sudão e o Sudão do Sul.

Desde o início das chuvas, em junho e julho, as estradas de grande parte do Sudão do Sul se tornaram intransponíveis, complicando o abastecimento do campo de alimentos e medicamentos.

"Inclusive os aviões de carga não conseguem aterrissar, desde a semana passada colocamos em andamento uma ponte aérea com helicópteros", explicou André Heller-Pérache.

Uma investigação da MSF revela uma alta taxa de mortalidade no campo, onde falecem a cada dia cinco crianças desde junho e onde sofrem diarreia, septicemia, infecções pulmonares e desnutrição. Hellen-Pérache adverte para o perigo da cólera e da malária.