Milhares de cristãos repetem passos de Jesus pela Via Crucis em Jerusalém

María Sevillano.

Jerusalém, 14 abr (EFE).- Milhares de cristãos relembraram nesta sexta-feira ao longo da Via Dolorosa de Jerusalém o caminho feito por Jesus, carregando a cruz, até onde a tradição cristã marca sua crucificação, em um dia marcado pela morte de uma jovem britânica por um ataque com faca perto da cidadela.

Impacientes, centenas de pessoas aglomeravam-se ao meio-dia sob o arco do Ecce Homo, da Cidade Velha, para continuar a procissão que começa com a saída de um grupo de franciscanos perto do Mosteiro da Flagelação, que aponta onde Cristo foi condenado e a poucos metros de onde lhe foi imposta a cruz com a qual percorreria o Calvário.

Milhares de peregrinos de Espanha, Austrália, Romênia, Itália, Egito, Etiópia e outros países não quiseram faltar a um dos eventos mais solenes do calendário cristão e que nesta ocasião coincide também com as festividades ortodoxas.

Maribel Arcia Fernández chegou de San José, na Costa Rica, expressamente para "agradecer" por sua recuperação de um câncer e, muito emocionada, contou à Agência Efe que com sua visita quer "reconhecer o poder que Ele tem, porque me curou".

Outra turista da América Latina, Claudia García, viajou da Cidade do México para estar em Jerusalém durante a Semana Santa porque é "uma oportunidade única" e garantiu estar tendo uma experiência "muito emocionante".

Eram alguns dos peregrinos que acompanhavam milhares de cristãos árabes locais que participaram este ano nas comemorações da Semana Santa, entre eles cerca de 670 palestinos que receberam permissões de Israel para sair de Gaza, sob bloqueio do país.

Outros 15.000 ou 20.000 procediam da Cisjordânia, segundo estimaram fontes da Organização para a Liberdade de Palestina (OLP), que geralmente não podem sair livremente deste território palestino ocupado até Jerusalém, cuja parte oriental também está ocupada por Israel desde 1967.

A cidade três vezes santa para cristãos, muçulmanos e judeus viu aumentada em milhares a afluência de viajantes que ficavam em algumas ocasiões retidos durante períodos de tempo intermitentes entre os numerosos postos de controle instalados pela polícia israelita dentro da cidade amuralhada e que dificultavam enormemente os deslocamentos de crentes, turistas, residentes e da imprensa.

"A segurança geral foi reforçada hoje e também para amanhã, por causa da cerimônia do fogo sagrado", disse à Efe o porta-voz policial Micky Rosenfeld.

No entanto, a afluência pareceu menor que a de anos anteriores e alguns comerciantes da simbólica cidadela lamentavam-se à Efe do pouco impacto econômico que sentiram.

"Não há negócio. Está sendo pior que em outras temporadas", comentou David Gushmawi junto às centenas de cruzes em exibição que tinha em uma pequena barraca de rua próxima à sexta estação do Via Crucis, onde a tradição conta que Verônica enxaguou com um pano o suor e o sangue de Jesus.

Quando os primeiros grupos de devotos já tinham chegado à igreja do São Sepulcro, que abriga a 14ª e última estação, a da sepultura, começavam a ser divulgados os detalhes de um ataque com faca cometido por um árabe israelita no bonde de Jerusalém em sua passagem pela Cidade Velha.

"A falecida no ataque de Jerusalém é uma jovem turista e estudante inglesa de 25 anos, residente, com dupla nacionalidade israelita-britânica", informou a porta-voz policial Luba Samri após o ataque.

Um porta-voz dos serviços de inteligência identificou o agressor como Yamil Tamimi, de 57 anos, originário do bairro palestino de Ras Al Amud, no território ocupado de Jerusalém Leste, e acrescentou que "tentou suicidar-se este ano engolindo uma lâmina em um hospital no norte" e que "em 2011 foi condenado por ataque indecente a sua filha".

Os serviços de emergência também atenderam no local do ataque uma mulher grávida de 30 anos, que caiu após a freada repentina do comboio, e um homem de 50 que ficou ferido quando tentava fugir.

O presidente de Israel, Reuven Rivlin, afirmou em comunicado que durante as últimas semanas vários agentes "trabalham para garantir a segurança de nossos queridos residentes e visitantes. E assim se continuará fazendo". EFE