"Me despedi na UTI e uma lágrima de sangue escorreu do olho dela", diz mãe da jogadora morta aos 23 anos

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RIO — Andréa Rebello, de 48 anos, mãe de Núbia, morta em acidente de carro aos 23 anos, contou sobre os momentos de despedida da família e pediu para que não tentem achar culpados pela tragédia. Andréa disse que tem sido questionada sobre quem seria o dono do cavalo que atravessou a pista da Rodovia Anhanguera, de repente, causando a batida fatal. Núbia, que estava ao volante, foi atingida em cheio pelo animal e uma das patas feriu o seu rosto.

— Ninguém tem culpa de nada, do que aconteceu. Havia mais três cavalos entrando na pista... Não quero saber quem é o dono e não quero que as pessoas tentem encontrá-lo. Animal se liberta mesmo e não temos como saber o que aconteceu. O que sei é que Deus emprestou a minha filha a mim, pediu que eu fosse a cuidadora dela e agora resolveu pegá-la de volta — desabafa Andréa, sobre questionamentos entre moradores de Cravinhos, onde elas nasceram. — Ela era uma menina linda e especial. Dona de um amor muito grande, uma pessoa muito intensa... O vôlei era sua paixão. Se pudesse ficar em quadra sete dias da semana, ela ficava sete dias.

Andréa está bastante abalada com o perda da filha mas conversou com O Globo por telefone, nesta terça-feira, um dia após o sepultamento, no Cemitério Municipal da cidade. Ela quis contar sobre os últimos momentos com a filha e também sobre o apoio que recebeu no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, para onde ele foi encaminhada.

Núbia dirigia o carro, ao lado de uma prima. Tinham saído de uma festa dos amigos da faculdade, em Ribeirão Preto, e estavam perto de Cravinhos. Ela chegou a dar "até o pisca para acessar a entrada da cidade", quando um cavalo atravessou a pista da Rodovia Anhanguera.

A colisão ocorreu do lado do passageiro, onde estava a prima de Núbia, que passa bem. Mas, o animal, que morreu na hora, atingiu em cheio a motorista.

Andréa chegou rápido ao local do acidente e seguiu a ambulância até o hospital. Disse que se despediu da filha na UTI, antes da primeira parada cardíaca.

Núbia teve três paradas cardíacas. A primeira durou cinco minutos e ela conseguiu ser reanimada. A seguinte, seis minutos. Mas, após oito minutos de uma terceira tentativa, os médicos não conseguiram trazê-a de volta.

— Ante de ser entubada, nos levaram para um setor específico para nos acolher e veio esta notícia da primeira parada cardíaca. Eu quis falar com ela. Na minha cabeça, daria força para ela voltar bem. Entrei na UTI e pedi para que ela tivesse força. Estava com o rosto muito inchado. O que vi foi a parte do nariz para baixo, a boquinha. Quando falamos, eu e o pai dela, que a amávamos muito, deitados em peito, senti uma lágrima, era uma lágrima de sangue. Foi um lágrima para nós.

Andréa contou que se sentiu confortada pela equipe médica. Comentou que tinham cerca de 13 profissionais tentanto manter Núbia viva e que uma enfermeira lhe abraçou o tempo todo. Andréa se diz grata mesmo que não tenha levado a filha de volta para casa:

— O que vi nesta UTI foram profissionais competentes e humanos. Todos estavam com lágrinas nos olhos quando viram nossa despedida.

A mãe de Núbia lembrou o quanto a filha era guerreira e destemida. O esporte foi paixão desde sempre.

Começou com a dança, "ela foi bailarinha excepcional". Aos 13 anos, a família descobriu que Núbia tinha escoliose idiopática. Dois anos depois, ela precisou operar. Colocou seis pinos na coluna para amenizar o desvio severo. E ela viu a filha lutar para voltar aos palcos.

Núbia não só conseguiu como passou a jogar vôlei. Andréa se dedica a esta modalidade desde os 8 anos e ambas atuavam no time da cidade.

— Nunca parei de jogar. Só quando tive minhas duas filhas (é mãe de Inara, de 19 anos). Até hoje treinava com ela no time de Gullit Pádua. Ele apostou na Núbia, que teve evolução muito rápida. Ela seria uma atleta importante no nosso time. Ela tinha um amor muito grande pelo que fazia, tanto na Odontologia quanto no vôlei. Ela estava pronta para sua formatura e pronta para o vôlei profissional. Ficou a lição da lutadora que sempre foi.

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