Preso por espancar colega em Registro (SP), procurador 'desprezada mulheres'

Procurador preso vinha “tendo sérios problemas de relacionamento com mulheres no ambiente de trabalho
Procurador preso vinha “tendo sérios problemas de relacionamento com mulheres no ambiente de trabalho", de acordo com delegado que pediu sua prisão - Foto: Reprodução/Redes Sociais

Thainan Maria Tanaka, de 29 anos, agente administrativa, que denunciou o procurador Demétrius Oliveira Macedo, de 34, para a procuradora-geral, Gabriela Samadello Monteiro de Barros, de 39, afirma que o advogado era "terrível, mal-educado" e "desprezava todas as mulheres".

A profissional acredita que a denúncia pode ter motivado as agressões contra a chefe do setor, que recebeu a reclamação e deu andamento ao procedimento interno. Ela afirma que o advogado era "terrível, mal-educado" e "desprezava todas as mulheres". Demétrius Oliveira foi preso na manhã desta quinta-feira (23).

Ela contou em conversa com o "G1" que o agressor começou a provocá-la após não tê-lo cumprimentado

"Sempre cumprimentei, mas, nesse dia, ele cismou que eu não havia respondido. Eu poderia ter me distraído com outra coisa, mas ele queria ser cumprimentado. Ele não queria cumprimentar ninguém, tinha essa postura bem estranha", disse.

Ainda de acordo com Thainan, passado um tempo ele voltou com a mesma retórica, embora a profissional afirme ter continuado a cumprimentá-lo, por não querer ser importunada. Demétrius, apesar de tudo, a ignorava, relatou.

"Ele virou para mim e disse 'não adianta você vir me cumprimentar' e eu falei 'cumprimento por educação'. Na sequência, Demétrius perguntou 'onde estava a educação durante todo esse tempo?'. Só que ele falou em um tom muito alto e tentou me intimidar. Ficava andando na frente da minha mesa. Nessa eu fiquei com muito medo dele e até chorava", afirma.

Após ter presenciado o desrespeito do procurador com outras mulheres, ela decidiu formalizar uma denúncia à procuradora-geral Gabriela que, segundo ela, se solidarizou, mas não tinha muito o que fazer.

Segundo a agente administrativa, no dia 27 de maio o procurador não falou com ninguém e, após o horário de expediente, foi até a sala da Gabriela, agindo de forma estranha, mas ela não estava lá.

"Eu acho que ele já estava querendo pegar ela naquela sexta (27 de maio) mesmo", afirma.

Ela relata, ainda, que Gabriela questionou o procurador por quais motivos estava tratando Thainan de forma desrespeitosa. Momento este que, de acordo com a agente administrativa, Demétrius se alterou e expulsou Gabriela da sala. Foi mais um motivo para dar entrada com um processo administrativo.

No dia das agressões contra Gabriela, na segunda-feira (20), Thainan estava de folga por cautela pois estava com medo da reação do procurador quando recebesse a notícia do processo administrativo. Ela acredita que se estivesse junto seria agredida também, pois, segundo ela, se não fosse de primeira, seria na hora de separar.

"Eu vi o vídeo e achei que ele não parecia ser diferente não. Ele estava igualzinho como eu o via todo dia, eu não achei que ele estava fora de si não. Aquilo que ele fez na segunda (20) poderia ter acontecido em qualquer outro dia. Ele vivia na defensiva", disse Thainan.

Ainda de acordo com Thainan, o procurador era "terrível, mal-educado" e "desprezava todas as mulheres". Além de ficar confortável e feliz ao ver alguém mal ou o clima ruim. "Quando a chefia era homem ele se comportava normal, mas ele odiava ter o cargo abaixo de uma mulher".

"Capaz de qualquer coisa"

Na tarde desta quarta-feira (22) a Justiça decretou a prisão preventiva do procurador Macedo, que agrediu a procuradora-geral da Prefeitura de Registro, Gabriela Samadello Monteiro de Barros. O pedido foi apresentado na 1ª Vara Criminal da cidade, pelo delegado Daniel Vaz Rocha, que está responsável pelo caso.

O delegado apontou no pedido que o acusado “vem tendo sérios problemas de relacionamento com mulheres no ambiente de trabalho, sendo que, em liberdade, expõe a perigo a vida delas, e consequentemente, a ordem pública".

Ainda de acordo com a Polícia Civil, a investigação instaurada para apurar o caso reuniu fotos e vídeos da agressão, além de depoimento da procuradora-geral para fundamentar o pedido de prisão preventiva. A procuradora agredida deu entrevista contando o que aconteceu: 'Acho que ele é capaz de qualquer coisa', disse ela em um dos trechos.

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