'Desta casa para a Casa Branca', escreve Biden em cidade natal

NATASHA MADOV E MARINA DIAS
·4 minuto de leitura

FILADÉLFIA E WILMINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - "Desta casa para a Casa Branca, com a graça de Deus", escreveu Joe Biden em uma das paredes da residência onde nasceu e passou parte da sua infância, em Scranton, na Pensilvânia, na manhã desta terça-feira (3), no último giro de sua campanha para presidente dos Estados Unidos. Mais cedo, ele foi à igreja em Wilmington, ainda antes das 7h, e visitou os túmulos de sua primeira esposa e de seus filhos Beau e Naomi. Depois, partiu para a Pensilvânia, o estado de tradição industrial que votou duas vezes em Barack Obama, mas, em 2016, escolheu Donald Trump por uma margem de menos de 1%. Com 20 delegados no colégio eleitoral, o estado é disputado pelos dois candidatos, que fizeram diversos comícios lá nos últimos dias. Trump tem prometido manter a extração de petróleo por fraturamento hidráulico no estado. A técnica, embora poluente, gera muitos empregos lá. Biden promete reduzir o uso de combustíveis fósseis. A apuração, porém, só deve apontar um vencedor na sexta-feira (6). A Suprema Corte autorizou a Pensilvânia a levar em conta cédulas enviadas pelo correio que cheguem até sexta, três dias após a eleição. Biden aparecia à frente nas pesquisas de intenção de voto na região com pouco mais de cinco pontos percentuais de vantagem na média das sondagens, segundo o site especializado FiveThirtyEight. Em Scranton, o ex-vice-presidente durante os dois mandatos de Obama posou para fotos ao lado de Anne Kearns, que hoje mora na casa que foi da família Biden. Sempre que vai à cidade, costuma visitá-la. Em 2008, quando concorria como vice, Biden já havia assinado a parede de um dos quartos. "Estou em casa." O democrata ainda fez um rápido comício na cidade, no qual aproveitou para ressaltar o alto desemprego no país, um tema importante para a região, de forte vocação industrial. Lá, também sublinhou as três razões pelas quais diz concorrer à Presidência: "devolver a básica decência e honra à Casa Branca", porque a classe média está falida enquanto Wall Street prospera e, por fim, para unir o país. De Scranton, o candidato seguiu à Filadélfia, a maior cidade do estado. Fez um evento fechado no National Constitution Center e se encontrou com eleitores e voluntários de campanha no bairro de West Oak Lane, no norte da cidade. Mais diversa e progressista, a Filadélfia é a aposta do Partido Democrata para conseguir um bom número de votos na Pensilvânia, o estado mais crucial da disputa deste ano. Eleitores negros, em grande número na Filadélfia, votaram em número recorde em Obama, mas não se animaram com Hillary Clinton em 2016 --o voto não é obrigatório nos EUA. A queda no comparecimento da minoria foi um dos motivos que levou a democrata a uma amarga derrota há quatro anos. Biden não quer repetir o desempenho da colega de partido e sabe que, para vencer, precisa levar um número recorde de eleitores às urnas. Na passagem pela Filadélfia, afirmou que a "participação tem sido incrível" e que a expectativa é de os EUA registrarem 150 milhões de votos em 2020. "O país está pronto. Teremos mais pessoas votando neste ano do que em qualquer outro momento da história americana." A chefe de campanha Jennifer O'Malley Dillon disse ao jornal The New York Times que está otimista quanto aos diferentes caminhos possíveis para o candidato chegar aos 270 votos necessários no Colégio Eleitoral para conquistar a Presidência americana. Dillon afirmou que Biden poderia ganhar a eleição mesmo perdendo a Pensilvânia e a Flórida, outro estado em que o candidato gastou muito tempo em busca de apoio. Ela admitiu, no entanto, que perder na região em que o democrata nasceu seria um grande risco e uma decepção. Biden, por sua vez, mostrou-se confiante nas vitórias nos dois estados. "Se eu vencer na Flórida, acabou. Já era. Se a Flórida não vier, mas na apuração inicial alguns estados mostrarem bons resultados, e nós estabelecermos aquele 'muro azul'", disse o democrata ao grupo de jornalistas que o acompanha na parada final do dia, em Delaware, "eu me sinto bem quanto a esse resultado". A expectativa era a de que Biden ficasse em sua casa em Wilmington para acompanhar a apuração. O democrata planejou um pronunciamento à nação no fim da noite, mas ainda não era certo se haveria ou não um resultado definido para que ele comentasse. Auxiliares o aconselharam a fazer um discurso presidencial, caso as projeções mostrem que ele é o vencedor, numa tentativa de vacinar uma manobra de Trump, que já ameaçou contestar os resultados. Mesmo sem números conclusivos, Biden manteve o plano de falar aos americanos. Às 18h, no horário local (20h em Brasília), o palco em Wilmington já estava quase pronto para que ele e sua vice, a senadora Kamala Harris, discursassem, seja para celebrar a vitória ou reconhecer a derrota.