Destaque na Europa e 'anônimo' no Brasil, Galeno pode seguir Deco, Pepe e outros e jogar na seleção de Portugal

Wenderson Rodrigues do Nascimento Galeno pode andar sem ser incomodado por fãs na maioria das grandes cidades do Brasil, mas não pode nem pensar em fazer isso nas ruas de Portugal. O atacante deixou a pequena Barra do Corda, no Maranhão, com 14 anos e o objetivo de ser jogador de futebol. Onze anos depois, ele é um dos destaques do Porto e pode ser o próximo brasileiro naturalizado a jogar na seleção de Portugal.

Pouca gente sabia que o jogador era brasileiro até outubro, quando Galeno teve a honra de marcar o gol de número 1000 do Brasil na Champions League. E em grande estilo. Contra o Bayer Leverkusen, na Alemanha, ele abriu o placar com um golaço e colocou seu nome na história do país e da competição.

- Minha carreira como atleta profissional foi sempre aqui na Europa, e por esse motivo não sou tão conhecido aí. Tive uma pequena passagem por uma equipe no Brasil apenas, por isso é normal que as pessoas não tenham esse reconhecimento. Esse gol é um marco na história, e isso só pode me deixar muito feliz - declarou, em entrevista exclusiva a O GLOBO.

Em Portugal desde 2016, quando deixou o pequeno Trindade para o Porto B após ser considerado a revelação do Campeonato Goiano daquele ano, Galeno cumpriu tempo necessário para tirar a cidadania portuguesa. Sua passagem pelas divisões inferiores do futebol português chamou a atenção do Rio Ave e depois do Braga, onde disputou mais de 100 partidas e se tornou um xodó da equipe.

Agora no Porto, onde já marcou 10 gols e deu quatro assistências, brilhando na Champions League, ele já está apto para ser convocado. O sucesso pode fazer de Galeno mais um brasileiro naturalizado a jogar pela seleção do país. Depois de Deco, Pepe, Liedson e muitos outros, a convocação do jogador têm sido cogitada para o próximo ciclo, depois da Copa do Mundo do Catar.

- Todo jogador sonha em jogar na seleção! Hoje tenho cidadania portuguesa e jogaria por Portugal com o maior orgulho. Se tivesse essa chance, daria meu melhor para representar bem toda a nação de Portugal. Minha carreira como atleta profissional está sendo vista através dos clubes daqui. No meu caso específico, me orgulho muito e sinto grande vontade de fazer sucesso por aqui. Se for pela seleção de Portugal, ficarei muito feliz.

Mesmo assim, Galeno não descarta jogar pelo Brasil caso seja observado pelo novo técnico da Seleção. Após a Copa, Tite deixará o cargo, e quem quer que seja o comandante, a equipe naturalmente passará por mudanças.

- A Seleção é o sonho de todo atleta brasileiro, mas estou focado nas competições do FC Porto nesse momento. Fazer parte da equipa brasileira, ou mesmo da portuguesa, será consequência do meu trabalho. Preciso continuar neste nível e serei lembrado - afirmou.

O Porto está classificado para as oitavas de final da Champions League, onde enfrentará a Internazionale em San Siro e decidirá em sua casa, no Estádio do Dragão. O time se acostumou a acolher e idolatrar brasileiros. E não foi à toa.

Em 1987, quando conquistou a então Copa dos Campeões da Europa, o gol do título foi do brasileiro Juary, que colocou de vez o Brasil no coração dos portistas. Além dele, o elenco também tinha Casagrande, que lesionado, não pode jogar a final.

Mais tarde, em 2004, a histórica equipe de José Mourinho tinha o brilho de Deco, melhor jogador da Europa naquela temporada, e ainda viu Carlos Alberto marcar na decisão contra o Mônaco.

Hoje, além de Galeno, também atuam por lá os naturalizados Pepe e Otávio, além do goleiro Samuel, o lateral-esquerdo Wendell e os atacantes Pepê, Fernando, Gabriel Verón e Evanílson. A legião brasileira é um costume por lá.

- O FC Porto abriu as portas para mim na Europa e o maior sentimento que tenho é de gratidão. Sou muito grato por isso. Vou dar meu melhor sempre por eles com o objetivo de fazer história no clube. Tem essa tradição de brasileiros, eles nos abraçam e nos fazem sentir em casa. Hoje faço parte da equipe do FC Porto e a minha cabeça, o meu foco, estão 100% neste clube que me acolheu. O resto, o futuro, está nas mãos de Deus - disse.