Destinos turísticos registram pico de Covid e gripe após Réveillon

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***ARQUIVO***RIO DE JANEIRO, RJ, 01.01.2015 - Tradicional queima de fogos na praia de Copacabana. (Foto: Ricardo Borges/Folhapress)
***ARQUIVO***RIO DE JANEIRO, RJ, 01.01.2015 - Tradicional queima de fogos na praia de Copacabana. (Foto: Ricardo Borges/Folhapress)

SALVADOR, BA, E CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) - Grupos de turistas infectados na Bahia e no Piauí, emergências e prontos-socorros com picos de demanda no Ceará e em Santa Catarina e até falta de medicamentos antigripais nas farmácias no estado do Rio de Janeiro.

Cidades turísticas conhecidas por abrigar algumas das principais festas de Réveillon do país registraram crescimento de novos casos de Covid e de influenza após os festejos de fim de ano.

Um dos casos mais emblemáticos é o de Cajueiro da Praia, cidade de 7.200 habitantes do litoral do Piauí.

O município registrou 123 casos de Covid-19 nos primeiros dias de 2022, número equivale a 10% dos 1.269 casos da doença registrados no local desde o início da pandemia, em março de 2020.

Dos 123 novos casos registrados neste ano, 103 eram pessoas que vieram de outras cidades para passar o fim de ano na região. A maioria foi participar da festa Réveillon das Emoções, evento com seis dias de shows que aconteceu no distrito de Barra Grande do Piauí.

A prefeitura informou que, seguindo a recomendação do governo do estado, não realizou festas de final de ano, mas empresas privadas organizaram festas de Réveillon em todo o litoral piauense.

O município afirma ter realizado testagem para Covid-19, feito busca ativa de casos suspeitos e fiscalizado o cumprimento de protocolos sanitários em pousadas. "Porém, nossas recomendações não foram seguidas por todos", diz a secretária municipal de Saúde de Cajueiro da Praia, Joara Mendes.

Na Bahia, houve aumento expressivo de casos de Covid-19 em Salvador. A capital baiana vinha registrando não mais de 30 casos diários de coronavírus até 3 de janeiro. Nos últimos dois dias, contudo, os casos cresceram de forma vertiginosa, com 112 casos na segunda-feira (3) e 111 na terça-feira (4).

O número, contudo, tende a estar subestimado, já que nem todos os pacientes com sintomas gripais estão tendo acesso a testes de Covid-19 na rede privada, conforme relato de pacientes ouvidos pela reportagem.

Parte dos novos casos registrados na capital baiana são de pessoas que passaram o Réveillon em balneários como Itacaré, Boipeba e Morro de São Paulo.

Um grupo de amigos de Salvador que passou a virada do ano em Itacaré, por exemplo, foi quase todo contaminado.

Dos 12 amigos que foram para a região juntos, 10 tiveram diagnóstico positivo para Covid. Todos estavam vacinados com duas ou três doses da vacina e estão com sintomas leves.

"Os sintomas começaram logo nos primeiros dias, principalmente tosse. Mas foi uma coisa generalizada", afirmou a médica Ana Vitória, 25, uma das pessoas do grupo que foi contaminada.

A turma foi para Itacaré participar do Réveillon N1, uma das festas mais badaladas do litoral sul baiano. Segundo Ana Vitória, os participantes tiveram que apresentar o comprovante de vacinação para o credenciamento na festa. No local do evento, contudo, não era exigido o uso de máscara.

O avanço de casos suspeitos aumentou a pressão em hospitais do sul da Bahia. O Hospital Regional Costa do Cacau, o maior de Ilhéus, teve um aumento superior a 150% nos atendimentos de pacientes com sintomas gripais causados por influenza, Covid-19 ou ambos.

Em Porto Seguro, foram registrados 24 novos casos de Covid nesta terça-feira (4). Outros 20 são tratados como suspeitos.

Também houve pico de casos no Ceará. O percentual de testes positivos para Covid, que era de menos de 1% no início de dezembro, subiu para 11% no posto de testagem do aeroporto de Fortaleza. No posto de testagem da rodoviária, o índice chegou a 20%.

O avanço dos casos fez o governador Camilo Santana (PT) anunciar nesta quarta-feira (5) o cancelamento de festas de Carnaval e pré-Carnaval, além da redução do limite de público para eventos, que será de 500 pessoas em locais abertos e 250 em fechados.

A rede Unimed de Fortaleza registrou nesta segunda-feira (3) o maior número de atendimentos na emergência e no pronto atendimento virtual desde o início da pandemia -foram 1.403 em um único dia, sendo a maioria com sintomas gripais.

"Estamos tendo uma quantidade muito grande de casos de influenza e de Covid, o que é preocupante, mas não é de se admirar. Era algo esperado tendo em vista o que aconteceu na última semana, principalmente no Réveillon", disse Elias Leite, presidente da cooperativa Unimed em Fortaleza.

A situação não foi diferente em estados do sul do país. Em Florianópolis, a Vigilância Epidemiológica emitiu um alerta na terça chamando atenção sobre o aumento dos casos de Covid-19.

Em 48 horas , segundo o órgão, 1.071 novos casos foram registrados em serviços de saúde da capital de Santa Catarina, sobrecarregando o atendimento. Entre 40% a 53% dos testes realizados nos últimos dias têm resultado positivo para Covid. "Esta taxa é extremamente alta", destacou a vigilância.

Nesta semana, o hospital privado Baía Sul e a Unimed Florianópolis comunicaram que a procura de pacientes era alta e o tempo de espera poderia ser mais elevado que o normal.

Nesta quarta-feira, o Procon de Florianópolis notificou farmácias da cidade por conta do aumento injustificado no preço dos testes de Covid-19 vendidos pelos estabelecimentos. A alta teria relação com a maior busca de consumidores por esses exames nos últimos dias.

Em redes sociais, internautas publicaram fotos de filas em laboratórios que realizam teste de Covid na capital catarinense.

Em Balneário Camboriú, há relatos de falta de testes em farmácias. Na terça, a prefeitura determinou que três unidades de saúde funcionem em horário estendido. "Desde o Natal verificamos uma ampliação significativa do número de pacientes com sintomas respiratórios", declarou o prefeito Fabrício Oliveira (Podemos).

No litoral do Rio de Janeiro, cidades como Búzios, Arraial do Cabo e Paraty registram falta de medicamentos para a gripe. A chegada de milhares de turistas no Ano-Novo contribuiu para pressionar a demanda nos municípios.

A reportagem entrou em contato com três farmácias em Arraial, procurado destino turístico na região dos Lagos. Em todas, faltavam xaropes e antigripais.

"Tem faltado muito remédio. Todo mundo ao meu redor ou está com a garganta ruim ou está no hospital. Realmente, tem tido muito caso aqui", disse Matheus Lopes, 25, que trabalha em uma das drogarias da cidade.

Em outra farmácia, a procura pelo antigripal Naldecon é tamanha que o produto acabou no mesmo dia em que o estoque foi reabastecido. Na falta de medicamentos recomendados pelos médicos, profissionais disseram que têm indicado remédios alternativos ou genéricos.

Apesar do desabastecimento, o município não tem pacientes de Covid internados em leitos de enfermaria, segundo dados do governo estadual.

A reportagem entrou em contato com três drogarias em Paraty, que também relataram a falta de Naldecon. Uma delas não tem o remédio há duas semanas. A demanda por testes também aumentou -uma das farmácias recebeu mais de 20 ligações por dia na semana do Ano-Novo de clientes em busca de testagem para Covid-19.

Em Búzios, três farmácias procuradas pela reportagem comunicaram a falta de medicamentos como o antiviral Tamiflu, xaropes, corticoides e pastilhas para garganta.

A cidade também está com a ocupação de leitos de Covid praticamente zerada. Há apenas dois leitos de enfermaria ocupados, e nenhum de UTI.

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