Desunida, esquerda abre espaço para favoritismo de Paes

Berenice Seara
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Não houve voto útil que desse conta. A esquerda do Rio, que entrou desunida na disputa, chegou juntinha no fim do primeiro turno — fora do campeonato. Como se diz no futebol, Benedita da Silva (PT), Martha Rocha (PDT) e Renata Souza (PSOL) vão assistir aos próximos dias de campanha pela TV.

A eleição sob o signo da Covid-19, quase sem eventos de rua e sem debates, não foi para amadores.

Valeram os minutos a mais no tempo de TV, as realizações à frente do Executivo, as máquinas da prefeitura, da igreja, do governo federal, do bolsonarismo inflado na última hora.

Martha até chegou a ensaiar uma arrancada que poderia deixar para trás Marcelo Crivella (Republicanos), mas não foi capaz de convencer o eleitor tradicional de esquerda de que uma delegada que troca a rosa da Internacional Socialista pelos contornos de um distintivo mereceria o voto que já foi destinado a Leonel Brizola.

Benedita ainda foi mais longe do que se imaginava quando deixou de ser a vice de Marcelo Freixo (PSOL) para encabeçar a chapa pelo PT — tão desgastado. Cresceu, na urna, a intenção de votos com a qual começou a partida. Fez uma campanha digna, e acabou, saindo maior do que entrou — mas só na última pesquisa Datafolha apareceu com mais chances que Martha. Acabou não concentrando o voto de quem queria ver Crivella longe das decisão do dia 29.

Renata só não sai tão mal por causa do resultado vigoroso do PSOL na eleição de vereadores. Mas, para o eleitor de Freixo, tem gosto amargo a derrota num ano em que o partido, como prova o resultado em São Paulo, tinha mais chances do que nunca. O PSOL que se prepare para os embates internos que estão prestes a começar.

A eleição de 2020 será lembrada como aquela que relegou a uma integrante da família Garotinho um lugar no fim da fila dos candidatos. A que mostrou que futebol é importante e a nação rubro-negra é gigante, mas política é outro esporte. E que dois corpos não ocupam o mesmo espaço nos corações dos bolsonaristas, para o desalento do estreante Luiz Lima — que, aliás, não fez feio chegando entre os cinco primeiros colocados.

O segundo turno começa hoje sem surpresas. Eduardo Paes (DEM), bem à frente, tem 15 dias para evitar levar muitos gols. Resta saber se vai conseguir manter a vantagem conquistada até agora.