Detectado caso de COVID-19 em comunidade indígena waorani no Equador

Foto divulgada pela ONG Amazon Frontline & Alianza Ceibo mostra funcionária do Ministério da Saúde do Equador se preparando para fazer exames de detecção da COVID-19 em indígenas Siekopai na comunidade San Pablo, 70 km a sudeste de Lago Agrio, Equador, 29 de abril de 2020

O Equador reportou neste domingo (17) o primeiro caso do novo coronavírus entre indígenas waorani da Amazônia, depois que uma jovem de 17 anos testou positivo, informou o Ministério da Saúde.

O "primeiro caso registrado na comunidade Waorani", se trata de "uma mulher gestante, de 17 anos, que iniciou a sintomatologia em 4 de maio", destacou a pasta em um comunicado.

A mulher foi transferida para um hospital em Quito, onde "se encontra isolada", informou o ministério, sem dar detalhes sobre o estado de saúde da paciente.

Após tomar conhecimento do caso, o governo, em coordenação com líderes indígenas, atendeu 40 pessoas da comunidade de Miwaguno (Orellana), de 140 habitantes, com a qual a mulher teve contato.

"Foram encontrados 17 cidadãos com antecedentes de sintomas respiratórios. Até hoje, seis deles apresentam sintomatologia, razão pela qual fizeram 20 testes rápidos e um total de 7 swabs nasofaríngeos", destacou o ministério da Saúde, sem informar os resultados dos exames.

O Equador, um dos países mais afetados pela pandemia na América Latina, está em confinamento há dois meses pelo novo coronavírus, que soma 33.000 casos, incluindo mais de 2.700 mortos.

Através de um comunicado da ONG Aliança pelos Direitos Humanos do Equador, organizações waorani expressaram que a propagação do vírus "poderia ser catastrófica e altamente letal", pois os indígenas "não têm defesas que lhes permitam resistir e produzir anticorpos para combater várias doenças, entre elas este novo vírus".

A ONG também alertou para o risco que implica para outras comunidades indígenas.

"Estes clãs costumam se aproximar das comunidades waoranis, em algumas ocasiões pegam em objetos ou percorrem a área, razão pela qual o risco de contágio de COVID-19 está latente", acrescentou o comunicado da ONG.

Mais de 500 povos indígenas, 66 deles em isolamento voluntário, ocupam sete milhões de quilômetros quadrados da floresta amazônia, compartilhada por Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela, segundo a Coordenadora das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (COICA).

A organização, que reúne indígenas dos nove países amazônicos, pediu há duas semanas ao mundo um aporte urgente de cinco milhões de dólares para fazer frente à pandemia e evitar a extinção de suas comunidades, guardiães da maior floresta tropical do mundo.

Segundo cifras da COICA, a COVID-19 deixou 26.500 casos, entre eles 1.630 mortos, na bacia amazônica.

As comunidades amazônicas são guardiãs cruciais da biodiversidade, o que é reconhecido pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), da ONU. Elas protegem uma área florestam que mantém presas 200 bilhões de toneladas de carbono.