Policiais são atacados a tiros em presídio no Equador após rebelião com 118 mortos

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Policiais equatorianos em cima da prisão de Guayaquil (AFP/Fernando Méndez)

Detentos abriram fogo contra policiais este sábado na mesma penitenciária de Guayaquil em que na terça-feira passada uma rebelião terminou com pelo menos 188 mortos, incluindo seis decapitados, informou a polícia.

"Durante a intervenção da '@PoliciaEcuador', em '#CPLGuayas No. 1', foram recebidos com tiros pelas PPL (pessoas privadas da liberdade)", escreveu a polícia no Twitter, sem informar se o ataque deixou novas vítimas.

A polícia acrescentou: "NEUTRALIZAMOS imediatamente esta ação" e "NO MOMENTO, o controle e a ordem são mantidos no centro penitenciário".

Policiais de grupos de elite entraram nas instalações apoiados por soldados e um tanque militar, segundo vídeo divulgado pela instituição.

“Em relação aos disparos”, a polícia indicou que foram apreendidos dois fuzis, três pistolas, munições e celulares na cadeia, que tem capacidade para 5.300 presos, mas abriga 8.500, o que representa uma superlotação de 60%.

O incidente ocorreu na mesma penitenciária de Guayaquil onde na terça-feira explodiram confrontos entre gangues rivais ligadas ao narcotráfico internacional, que disputam o poder, com o balanço de pelo menos 118 mortos e 86 feridos, em um dos piores massacres carcerários na história da América Latina.

- "Queremos paz" -

Na quinta-feira, a comandante da polícia, Tannya Varela, disse que as autoridades assumiram o controle da prisão, parte de um grande complexo penitenciário em Guayaquil.

Em uma prisão vizinha, os presos subiram nos telhados no sábado para agitar roupas brancas e exibir cartazes pedindo paz, verificou a AFP.

“Queremos paz” e “A lei está nos matando. Queremos paz”, lia-se nas faixas dos detentos, que pedem para não serem transferidos para outros presídios porque onde estão “não há problemas”.

Autoridades planejam realocar parte dos internos após a rebelião que causou desespero entre seus parentes, que imploram por informações sobre seus entes queridos ao redor da prisão.

As pessoas também se aglomeraram no necrotério da polícia, localizado em outra região de Guayaquil.

Até o momento, foram identificados 101 corpos, dos quais 44 já foram entregues a seus familiares, segundo a Criminalística.

“A identificação dos corpos remanescentes continua nos estudos antropológicos e na coleta de amostras de DNA de familiares”, disse a polícia.

O portal Primicias relatou que, ao entrar no pavilhão que foi atacado por grupos rivais, os policiais "viram feridos implorando por socorro e uma pilha de corpos incinerados".

Depois do motim - o terceiro mais grave do ano no Equador, que sofre uma crise carcerária - militares e policiais intervêm em todas as prisões do país para manter a ordem e realizar buscas, apreensão de armas, munições e explosivos.

Até agora, em 2021, distúrbios nas prisões no país já deixaram 237 mortos e 166 feridos, de acordo com dados oficiais. Em fevereiro, 79 presidiários morreram em rebeliões simultâneas em quatro prisões de três cidades.

A ministra do Governo, Alexandra Vela, anunciou na sexta-feira que no âmbito estado de exceção para o sistema prisional vigente até novembro, o Executivo destacou cerca de 3.600 militares e policiais para "garantir a segurança" nos presídios.

O sistema penitenciário do Equador sofre com superlotação, falta de guardas, redução do orçamento, corrupção, além da guerra entre gangues vinculadas a cartéis como os mexicanos de Sinaloa e Jalisco Nova Geração.

Para reduzir a superlotação, o governo acaba de anunciar planos para construir mais infraestrutura carcerária, conceder indulto para cerca de 2.000 presos com mais de 65 anos de idade e com doenças ou deficiências, e repatriar estrangeiros condenados para que terminem de cumprir suas penas em seu país.

Aproximadamente 10% do total da população carcerária do Equador é de estrangeiros, principalmente colombianos e venezuelanos.

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