Detentos fogem de centro de detenção provisória em SP

***FOTO DE ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, BRASIL, 20-03-2014 - Tropa de Choque da Polícia Militar entra no Centro de Detenção Provisória (CDP) no Belém, Zona Leste de São Paulo. Os agentes penitenciários, em greve há dez dias, impediram a entrada de caminhões com cerca de 100 presos na unidade. (Foto: Adriano Lima/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um grupo de 13 detentos fugiu do CDP (Centro de Detenção Provisória) de Chácara Belém, na zona leste da capital paulista, no início da noite deste domingo (5).

De acordo com a SAP (Secretaria de Administração Penitenciária), da gestão Doria, os detentos estavam na ala do semiaberto e já fora das celas quando pularam o alambrado da unidade.

A fuga ocorreu, segundo a secretaria, após o horário de visitas de familiares, que foi encerrado por volta das 16h.

A ausência dos 13 detentos foi percebida no momento da contagem. “A Polícia Militar foi imediatamente acionada, e os demais presos foram trancados em suas celas pelos agentes”, informou a SAP por meio de nota.

A Polícia Militar disse que foi acionada para atender à ocorrência por volta das 18h30, mas, quando chegou ao local, os presos já haviam escapado.

Para evitar novas fugas, a direção da unidade disse que vai aumentar o número de funcionários e a altura do alambrado, além de instalar ofendículos para dificultar novas evasões.

CDP DO BELÉM

O CDP do Belém está localizado na avenida Condessa Elizabete Robiano, na altura do número 900, no Belém. A unidade foi inaugurada em fevereiro de 2000 e tem capacidade para abrigar 853 detentos, mas conta com 1.283.

De acordo com a SAP, as alas e unidades de regime semiaberto não dispõem de vigilância armada e nem são cercadas por muralha, conforme a legislação. “A permanência do preso, nesse regime, se caracteriza muito mais pelo senso de autodisciplina e responsabilidade, do que propriamente por mecanismos de contenção contra a evasão”.

Todos os fugitivos, assim que recapturados, voltarão ao regime fechado. Até o final da manhã desta segunda-feira (6), nenhum detento havia sido localizado.

POPULAÇÃO CARCERÁRIA

O número de presos do sistema carcerário de São Paulo mais que quadruplicou nos últimos 25 anos e atingiu, em maio de 2019, a maior soma de sua história, 235.775 pessoas, segundo dados do governo paulista.

Nesse período, o estado foi administrado praticamente apenas pelo PSDB, partido do atual governador João Doria, com exceção das breves passagens do PFL, de Cláudio Lembo, e do PSB, de Márcio França.

São Paulo atingiu essa marca em meio ao processo de concessão à iniciativa privada, pela primeira vez, da gestão compartilhada de quatro unidades prisionais no estado.

Até o final deste ano, o governo Doria pretende destinar quase 20 unidades a parcerias, incluindo por meio de PPP (Parceira Público-Privadas), como já ocorre em outros estados do país.

O total de detentos inclui as prisões cíveis, como as por não pagamento de pensão alimentícia (responsabilidade da Segurança Pública), que somavam 1.979 pessoas.

Sem elas, são 233.796 presos criminais -condenados ou provisórios-, população equivalente à estimada para a cidade de Araraquara (233.744 habitantes).