Detido em ato terrorista no DF relata ajuda de integrante do Exército a golpistas

Golpista disse também ter vindo de SC com 48 pessoas para "manifestar contra a corrupção"

Ato terrorista no DF: Bolsonaristas depredaram e saquearam prédios dos Três Poderes em Brasília - Foto: AP Photo/Eraldo Peres
Ato terrorista no DF: Bolsonaristas depredaram e saquearam prédios dos Três Poderes em Brasília - Foto: AP Photo/Eraldo Peres

Em depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal, um dos golpistas presos durante a invasão do Palácio do Planalto no domingo (8) disse que um integrante do Exército tentou ajudá-lo e os outros invasores a deixar o prédio antes que fossem presos.

A informação é da TV Globo teve acesso a 25 depoimentos, todos de presos em flagrante por tentativa de golpe de estado.

O golpista preso, contou ter vindo de Santa Catarina (SC) com 48 pessoas para "manifestar contra a corrupção no país e contra a falta de transparência das urnas".

Ainda no relato, ele disse não ter pago pela "excursão". A viagem, segundo ele, teria sido financiada com doações da população.

Questionado sobre a invasão ao Planalto, ele informou que "um comandante do Exército falava para que os manifestantes fizessem uso de uma saída de emergência, convidando-os a sair, mas na sequência a tropa de choque da PMDF chegou e deu voz de prisão ao declarante e também a outros indivíduos".

O golpista ainda relatou que "tentou evitar que infiltrados danificassem o local ou que machucassem pessoas, tendo inclusive se colocado entre a tropa de choque e os manifestantes".

De acordo com ele, após a chegada da tropa de choque, ele e outros manifestantes se ajoelharam e começaram a cantar o hino nacional e pedir que o Exército os protegesse.

Sobre a declaração do homem detido, o Exército informou em nota, que "ainda não foi formalmente notificado e não há, até o momento, qualquer fato que indique a sua veracidade".

Dos 25 depoimentos aos quais a TV Globo teve acesso, apenas um era de uma moradora de Brasília. Os demais presos chegaram à cidade, em sua maioria, na véspera ou no próprio dia das invasões aos prédios públicos da Praça dos Três Poderes.

Durante depoimento, nenhum dos presos admitiu ter participado dos atos de vandalismo, negando terem danificado qualquer tipo de patrimônio ou agredido policiais.