'Deus é sinônimo de amor e compaixão', diz Janja em reação a postagem de Michelle contra Lula

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 01.08.2022 - A socióloga Rosângela Silva, a Janja, esposa do ex-presidente Lula (PT). (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 01.08.2022 - A socióloga Rosângela Silva, a Janja, esposa do ex-presidente Lula (PT). (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A socióloga Rosângela da Silva, a Janja, reagiu a publicação que a primeira-dama Michelle Bolsonaro fez contra Lula (PT) em que associa religiões africanas a "trevas".

"Eu aprendi que Deus é sinônimo de amor, compaixão e, sobretudo, de paz e de respeito. Não importa qual a religião e qual o credo. A minha vida e a do meu marido sempre foram e sempre serão pautadas por esses princípios", postou Janja no Twitter, sem citar o nome de Michelle.

Na noite de segunda (8), Michelle compartilhou uma postagem da vereadora Sonaira Fernandes (Republicanos) que afirma que Lula "entregou sua alma para vencer essa eleição". O texto é acompanhado de vídeo que exibe encontros de Lula com lideranças de religiões de matriz africana.

"Isso pode, né! Eu falar de Deus, não!", escreveu a primeira-dama na publicação.

"Não lutamos contra a carne nem o sangue, mas contra os principados e potestades das trevas", escreveu a parlamentar da cidade de São Paulo, endossada por Michelle.

"O cristão tem que ter a coragem de falar de política hoje, para não ser proibido de falar de Jesus amanhã", afirmou Sonaira.

O uso dos mesmos vídeos por bolsonaristas já foi alvo de uma representação feita pela Coalizão Negra por Direitos, que apontou a promoção de discurso de ódio. Em janeiro deste ano, uma dessas peças foi manipulada para sugerir que Lula declarava ter uma relação com o Demônio.

Segundo a Coalizão à época, associações como essas são racistas, extrapolam o limite da liberdade de expressão e têm o objetivo de indignar e gerar ódio.

Como mostrou o jornal Folha de S.Paulo, Michelle Bolsonaro tem intensificado sua participação em atos a favor do marido como forma de melhorar a imagem do presidente juntos às mulheres.

A primeira-dama tem recorrido com frequência a discursos religiosos durante esses eventos. Foi assim na convenção que sagrou Bolsonaro candidato pelo PL, há duas semanas.

Na ocasião, ela fez uma fala repleta de referências religiosas e mencionou, mais de uma vez, o atentado a Bolsonaro em 2018, em Juiz de Fora (MG).

A estratégia pode estar tendo efeito nas pesquisas. No último levantamento do Datafolha, o presidente viu crescer sua intenção de votos entre o público feminino, um dos mais vitais e impermeáveis a ele na corrida eleitoral de 2022.