Espanha investiga tio de Bashar al Assad por lavagem de dinheiro

Madri, 4 abr (EFE).- A Justiça espanhola investiga Rifaat al-Assad, ex-vice-presidente da Síria e tio do atual líder do país árabe, Bashar al Assad, por lavagem de dinheiro.

O juiz José de la Mata, da Audiência Nacional, abriu a investigação pela suposta participação em uma rede criminosa que opera na cidade de Marbella e em Puerto Banús, uma das zonas mais luxuosas da Costa do Sol, na província espanhola de Málaga, segundo fontes judiciais.

O magistrado ordenou 15 registros, a maioria em Puerto Banús, assim como o bloqueio das contas bancárias de 16 pessoas próximas ao tio do presidente sírio e de outras 76 correspondentes a pessoas jurídicas. Por enquanto não foram expedidas ordens de prisão.

Rifaat foi vice-presidente da Síria durante o governo de seu irmão Hafez Al Asad, pai de Bashar al Assad.

Nos anos 80, Hafez, então presidente, o expulsou do país temendo que organizasse um golpe de Estado contra ele.

Aparentemente, Rifaat recebeu mais de US$ 300 milhões procedentes dos cofres do Estado e, com esse dinheiro, atracou na França, onde em 1984 começou a comprar bens imobiliários.

Em 2016, a justiça francesa o acusou de ocultar desvio de recursos públicos e de participar de uma quadrilha que lavava dinheiro.

Graças a cooperação judicial de vários países da União Europeia, foi possível constatar que Rifaat al-Assad possui um patrimônio na Espanha registrado em diferentes sociedades administradas por familiares.

A investigação aberta na Espanha permitiu localizar 503 propriedades de Rifaat al-Assad e seus parentes, entre estacionamentos, casas, apartamentos de um hotel de luxo e fazendas.

Entre as propriedades, a maioria em Puerto Banús e Marbella, se destaca "A Máquina", um sítio de mais de 3.300 hectares com um valor de mercado de 60 milhões de euros (aproximadamente R$ 200 milhões).

O patrimônio imobiliário total localizado na Espanha chega aos 691 milhões de euros (R$ 2,3 bilhões).

Todas as propriedades foram embargadas pelo juiz José de la Mata. EFE

na.mms/cs