Americanas revela ter 7.720 credores com total de R$41,2 bi em dívida

Americanas

Por Gabriel Araujo e Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - A Americanas divulgou nesta quarta-feira uma lista de 7.720 credores e dívidas totalizando 41,2 bilhões de reais em seu processo de recuperação judicial.

A companhia, que tem como acionistas de referência o mesmo trio bilionário de investidores que fundou a 3G Capital, pediu recuperação judicial na semana passada, após revelar "inconsistências" contábeis. O movimento levou grandes investidores, como BlackRock e Capital International, a reduzirem suas posições na empresa.

O Deutsche Bank liderava a lista de credores inicialmente divulgada pela Americanas, com 1 bilhão de dólares, mas o banco alemão disse posteriormente que não tem exposição de crédito à companhia e que não será afetado pela recuperação judicial.

"O Deutsche Bank não foi afetado, pois não tem uma relação de empréstimo nem qualquer exposição de crédito à empresa em questão", afirmou.

Uma fonte familiarizada com a situação disse que o Deutsche Bank atuou como fiduciário ('trustee') de dois títulos de 500 milhões de dólares cada garantidos pela Americanas.

Outros bancos com exposição à varejista, de acordo com a lista divulgada pela Americanas, incluem Bradesco, com 4,51 bilhões de reais; Santander Brasil, com 3,65 bilhões de reais; BTG Pactual, com 3,5 bilhões de reais; Itaú Unibanco, com 2,73 bilhões de reais; e Safra, com 2,5 bilhões de reais.

O BV aparecia inicialmente com 3,28 bilhões de reais, mas o banco também informou à imprensa que a lista "não reflete a sua real exposição". A instituição disse que na data da revelação das inconsistências contábeis da Americanas era credor de Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) com saldo devedor de aproximadamente 206 milhões de reais.

O Santander Brasil e o Safra pediram a impugnação da recuperação judicial da Americanas e o Bradesco vai mover ação contra a varejista fora do Brasil para tentar evitar que a empresa use mais recursos de uma linha de crédito.

Na véspera, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro suspendeu o bloqueio de cerca de 1,2 bilhão de reais da Americanas em poder do BTG Pactual, que havia sido obtido via mandado de segurança impetrado pelo banco de investimentos.

O BTG entrara na Justiça contra decisão que, entre outras matérias, concedia à varejista o direito de reaver valores compensados por credores no âmbito de decisão judicial de 13 de janeiro.

A Americanas também conseguiu decisão favorável contra "arresto/sequestro dos valores reclamados pela companhia e que tinham sido bloqueados pelos Bancos Safra e Votorantim". O dinheiro bloqueado voltará a ser de propriedade da companhia, no entanto, deverá ser mantido em depósito judicial.

Na véspera, Itaú Unibanco e Bradesco rejeitaram alegações de que os bancos têm responsabilidade na situação da Americanas.

Nesta quarta-feira, a Americanas pediu nos Estados Unidos uma extensão dos efeitos de proteção assegurados em seu processo de recuperação judicial no Brasil, em um processo conhecido como "Chapter 15", de acordo com um documento judicial.

Na B3, as ações da Americanas fecharam em alta de 17,5%, a 0,94 real, nesta quarta-feira. Antes do anúncio sobre a descoberta dos problemas contábeis, o papel valia 12 reais.

Mais cedo nesta quarta-feira, a Americanas também divulgou que a BlackRock, maior gestora de recursos do mundo, reduziu sua participação na empresa para cerca de 0,12% das ações, mais 0,36% via instrumentos de derivativos. Em dezembro, segundo dados no site da Americanas, essa fatia estava ao redor de 5,05%.

No começo da semana, a Capital International Investors (CII) comunicou a companhia sobre a redução de sua participação acionária na varejista de 7,04% para 4,07%.

(Por Gabriel Araújo e Paula Arend Laier, com reportagem adicional de Dietrich Knauth)