Devastadora, lagarta do cartucho afeta lavouras de quase todo o sul da África

Roma, 28 abr (EFE).- A devastadora praga da lagarta do cartucho já se estendeu a lavouras de quase todos os países do sul da África - com exceção do Lesoto e das ilhas - e a outras partes do continente, onde chegou "para ficar", conforme disse nesta sexta-feira à Agência Efe o agrônomo da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) Sina Lutem.

"A praga vai ficar na África e se expandirá ainda muito mais", até poder se transformar em endêmica. Por isso, são essenciais ações urgentes e coordenadas para combatê-la, afirmou o técnico da FAO.

A lagarta do cartucho é uma perigosa praga tropical originária das Américas, presente no Brasil e que pela primeira vez foi identificada na África em janeiro do ano passado. Hoje, se alastra rapidamente, destruindo colheitas principalmente de milho, um cultivo básico do qual depende a alimentação de mais de 200 milhões de pessoas.

Além de ser encontrada na África meridional, a praga apareceu em outros 12 países do leste e do oeste do continente, segundo as últimas avaliações, que contemplam a possibilidade de que ainda não tenha chegado ao Lesoto devido aos invernos mais frios que registra em comparação com vizinhos.

Representantes de países, organizações científicas e ONGs internacionais analisaram nesta semana o problema em Nairóbi e, segundo Luchem, destacaram a necessidade de investir em sistemas de alarmes e na capacitação dos agricultores para que saibam como agir.

O agrônomo afirmou que foi observado um "uso em massa de pesticidades em todos os países", os quais, se não forem aplicados adequadamente, podem causar danos à saúde e ao meio ambiente. Por isso, Luchem pediu que sejam exploradas outras opções, como os biopesticidas e demais formas de controle biológico dentro de uma gestão integrada de pragas, enquanto é intensificada a pesquisa sobre a lagarta do cartucho.

Especialistas calculam que as perdas de milho na África por causa da praga podem ultrapassar US$ 3 bilhões para o próximo ano. EFE