Dez pontos do discurso de posse que ajudam a entender como será o novo mandato de Cláudio Castro

Em seu primeiro pronunciamento como governador, logo após tomar posse na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Cláudio Castro falou por cerca de 40 minutos, lendo um texto de 36 páginas. Abaixo, confira alguns dos principais trechos e temas abordados no discurso, passando por assuntos como economia, segurança pública, meio ambiente e educação, citada como uma das principais metas para os próximos quatro anos.

“Em agosto de 2020, assumi o governo com o Regime de Recuperação Fiscal para vencer e sem R$ 6,2 bilhões para fechar o ano. (...) Ainda assim, sobrevivemos à pior crise da história, quando o déficit nas contas públicas chegaria a R$ 23 bilhões. Com união e diálogo, deixamos a espiral descendente para entrar em um círculo virtuoso. Em 2021, com menos de um ano de trabalho, o Produto Interno Bruto cresceu 4%, e a execução orçamentária não apresentou déficit. (...) Hoje, o estado apresenta previsão de incremento de quase 20% na receita bruta”.

“Com a entrada das novas concessionárias de água e saneamento, foram arrecadados R$ 25 bilhões em outorgas, beneficiando 47 cidades e 13 milhões de habitantes. Após a concessão dos serviços, a Cedae encerra o ano com R$ 394 milhões de lucro”.

“Nenhum reajuste era concedido desde 2014 aos ativos, inativos e pensionistas, em uma conquista histórica que segue à risca as regras do Regime de Recuperação Fiscal. Com muito esforço garantimos a recomposição salarial dos servidores. Este é o segundo ano consecutivo que promovemos a recomposição.”

Obs.: De acordo com estudo da Firjan, o PIB do Rio teve crescimento de 2,6% no segundo trimestre de 2022.

“Além de cuidar do presente, estamos oferecendo ao povo do Rio de Janeiro uma projeção de futuro, de sonhar com um estado melhor, comprometido com a questão ambiental. E os primeiros sinais começam a aparecer”.

“Após pelo menos 15 anos como imprópria para banho, a Praia de Botafogo apresentou condições de balneabilidade em boletins consecutivos do Inea; recentemente, a Praia do Ribeira, em Paquetá, na Baía de Guanabara, se manteve própria para banho em 88% das amostras, entre abril e novembro. (...) Sei que é o início de um longo processo, mas que nos permite projetar, finalmente, a despoluição definitiva da Baía de Guanabara.”

Obs.: A concessionária Águas do Rio tem como meta atingir a capacidade máxima da estação de tratamento de esgoto Alegria, no Caju, a maior do estado, até 2033.

“Não é possível falar em futuro melhor sem educação. Elevar a qualidade do ensino a um patamar de excelência é uma das minhas metas. No maior projeto educacional das últimas décadas, estamos transformando 50 CIEPS em escolas tecnológicas, sustentáveis, com aulas em tempo integral, produção audiovisual e robótica, além das inovadoras escolas interculturais e das 70 mil vagas oferecidas pelas FAETECS em cursos profissionalizantes.”

“A escola é a porta para o futuro. Vou lutar para que cada criança e cada jovem deste estado tenha oportunidade de chegar à sala de aula e concluir uma formação que permita uma vida promissora e digna.”

Obs.: Desde julho, 25 Cieps foram transformados em Escolas de Novas Tecnologias e Oportunidades (E-Tecs), de acordo com as diretrizes do programa

“Com a regionalização da saúde, foram repassados mais de R$ 2,2 bilhões às cidades e outros R$ 790 milhões investidos na construção e na ampliação de mais de 60 unidades em 37 municípios. Em outras palavras, aquele que mais precisa vai encontrar atendimento perto de casa, sem ter que enfrentar horas de viagem em busca de tratamento médico.”

“No enfrentamento à pandemia, a estratégia de distribuir de forma igualitária e célere as vacinas inaugurou um modelo de gestão descentralizada, que fortaleceu os municípios.”

Obs.: Em junho, o governo anunciou o programa “Cuidar+ Saúde pra Todos”, com 30% dos valores para obras e aquisição de equipamentos para unidades básicas, e 70% para custeio.

“Entre tantos desafios, um deles se mostra permanente na história recente do nosso estado, cujo avanço ou retrocesso reflete diretamente nas demais políticas públicas. Foi preciso coragem para enfrentar o caos encontrado em 2020, mas quem pode, por direito, reivindicar coragem para si mesmo é o servidor da Segurança Pública. Graças ao trabalho incessante, inovador, destemido desses profissionais, conquistamos os melhores índices dos últimos 30 anos”.

“A atuação diligente das polícias Militar, Civil e Penal resgatou a confiança da população, após décadas de negligência com a violência urbana, que abalou a relação entre a sociedade fluminense e as forças de segurança. As estatísticas comprovam uma verdade que não se pode recusar.”

Obs.: De janeiro a novembro de 2022, o Rio teve 2.807 homicídios dolosos, menor número no período desde o início da série histórica, em 1991

“Na maior licitação do país, adquirimos mais de 21 mil câmeras operacionais portáteis. Só na Polícia Militar, já são cerca de 9 mil em operação em todos os batalhões de área. Assim, damos mais transparência e segurança jurídica às ações de patrulhamento e abordagem, protegendo os policiais e a sociedade.”

Obs.: A implantação das câmeras nas fardas dos PMs, iniciada em maio, foi determinada pelo STF, na ação que questiona a política de segurança no Rio

“A prevenção e o combate ao feminicídio, esse crime bárbaro que atinge as mulheres e destrói famílias, é uma prioridade absoluta em nossa gestão. Lançamos o aplicativo Rede Mulher, uma ferramenta baixada gratuitamente no celular, que permite o acionamento eletrônico do 190. Na nossa gestão também foi criado o núcleo de atendimento aos familiares das vítimas do feminicídio, que atende crianças e adolescentes cujas mães foram vitimadas no nosso estado”.

“A protagonista desse nosso mandato no Rio é a mulher. Nossa atenção para essa realidade motiva a criação da Secretaria da Mulher, que vai atuar de forma transversal com outras pastas e órgãos do estado. As mulheres precisam e merecem ser cuidadas, protegidas, respeitadas e ter a garantia de direitos e oportunidades iguais na sociedade.”

Obs.: Os feminicídios no Rio registraram de janeiro a novembro do ano passado o mais alto número de casos para o período desde 2016: foram 97, de acordo com o ISP.

“Nosso governo consagra, por fim, o encerramento do ciclo de abandono em que o estado esteve atolado nos últimos anos. Antes abandonado, o Museu da Imagem e do Som, em Copacabana, chegou a 82% das obras concluídas. A estação de Bonsucesso do Teleférico do Alemão está pronta e as demais reformas atingiram 65% de avanço.”

“O planejamento responsável, aliado à gestão eficiente, dá condições de robustecer o investimento público, gerar aumento de arrecadação, concluir obras e valorizar o funcionalismo”.

Obs.: A privatização de parte da Cedae rendeu aproximadamente R$ 11 bilhões aos cofres do estado, e cerca de R$ 4,1 bilhões serão investidos em 2023, segundo o governo.

“O Rio de Janeiro precisa ser bom pra todo mundo, da capital ao interior. As pessoas vivem nas cidades e são nelas que buscam saúde, cultura, educação, qualidade de vida. A capital e a Região Metropolitana concentram, naturalmente, oportunidades e recursos, mas o interior guarda um potencial a ser explorado e precisa de mais atenção.”

“Ao longo de muitos anos, fez parte do discurso dos governantes que um estado só é forte quando tem um interior forte. Nós conseguimos tirar as palavras do papel e transformar esse discurso em realidade.”

Obs.: O governador procurou ampliar sua rede de influência no interior. Ele teve apoio de 85 prefeitos e venceu a eleição em 91 das 92 cidades do estado, tendo perdido apenas em Niterói.

“Ao longo dos últimos dois anos sofri muito, eu a minha família, seja com mentiras, ataques gratuitos ou boatos maldosos. Mas eu aprendi a superar isso com a verdade, com trabalho, retidão e honestidade.”

Obs.: Em delação, um ex-assessor acusou Castro de receber propina. Ele nega. Há três semanas, a PGR pediu abertura de inquérito para investigá-lo.