Dez universidades do Rio, como UFRJ e UFF, pedem adiamento do Enem

Bruno Alfano

Rio - Dez universidades públicas do Rio assinaram um documento pedindo o adiamento do Enem. Entre elas, a UFRJ, maior federal do país.

Eles argumentam que são contra "qualquer tentativa de difundir uma sensação de normalidade falseada, como a manutenção do cronograma do Enem 2020, o qual, caso mantido, ampliará as desigualdades de acesso ao ensino superior".

Também assinam o documento a Universidade Federal Fluminense (UFF), Instituto Federal Fluminense (IFF), Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet-RJ), Fundação Centro Universitário Estadual da Zona Oeste (Uezo), Colégio Pedro II, Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf), Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio).

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, defende a manutenção das datas do Enem. Ele argumenta que o exame é uma competição e, por isso, ficou mais difícil para todo mundo.

— Isso que tem que paralisar tudo é bobagem. O Brasil não pode parar, não vai parar — afirmou. — Todo ano querem acabar com o Enem. Só que a argumentação deles é totalmente equivocada. Eles dizem: as pessoas não estão podendo se preparar. Mas está difícil para todo mundo. É uma competição. A gente vai selecionar as pessoas mais preparadas para serem os médicos daqui dez anos, os enfermeiros, os engenheiros, os contadores.

No Congresso, há projetos que preveem o adiamento das provas, como dos senadores Humberto Costa (PT-PE) e Daniella Ribeiro (PP-PB). Senadores têm pressionado o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), a pautá-los, diante da resistência de Weintraub em adiar as provas.

Entre os argumentos, parlamentares alegam que, independentemente de a situação da pandemia estar controlada no país em novembro, a realização das provas nesse mês será injusto com alunos da rede pública, já que, diferentemente das escolas privadas, eles não têm tido aula neste período de isolamento social.