Dezenas de milhares protestam no México contra reforma eleitoral de López Obrador

Dezenas de milhares de pessoas encheram as ruas centrais da Cidade do México neste domingo (13) para expressar sua rejeição a uma proposta do presidente esquerdista Andrés Manuel López Obrador de reformar o Instituto Nacional Eleitoral (INE).

Sob o lema "O INE é intocável", os manifestantes se reuniram no centro da cidade para criticar a iniciativa que, segundo eles, ameaça a autonomia e independência do árbitro eleitoral.

"Por isso vim, para defender o INE!", gritavam os manifestantes, que vestiam roupas cor-de-rosa, que identifica o Instituto Nacional Eleitoral, um órgão que, segundo López Obrador, endossou fraudes nas eleições presidenciais de 2006 e 2012. Na época, López Obrador foi candidato, mas acabou derrotado nas urnas.

Graciela Aberel, professora de inglês que estava acompanhada do marido, disse que a proposta do presidente é "muito séria" porque quer que a organização das eleições passe para as mãos do governo, como era no México antes da fundação da entidade autônoma na década de 1990.

"O que [López Obrador] quer é que todas as eleições dependam novamente do governo para que ele possa manipulá-las à vontade e possa permanecer no poder", disse Aberel, 53, à AFP.

Muitos manifestantes levaram cartazes com mensagens como "não sou corrupto, classista, racista, hipócrita", aludindo aos adjetivos com que López Obrador se referia aos que participaram da marcha na semana passada.

"Isso não é contra (...) o governo de hoje, é contra qualquer governo que agora ou no futuro queira assumir o controle das eleições", disse Francisco Videla, um comerciante de 50 anos que veio com a família e alguns amigos.

A reforma propõe, entre outras medidas, que os membros do Conselho de Administração do INE sejam eleitos por voto popular, bem como um corte no financiamento recebido pelos partidos políticos de acordo com as regras em vigor.

A iniciativa também propõe a redução do número de deputados federais de 500 para 300, enquanto o número de senadores passaria dos atuais 128 para apenas 96.

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