Dezenas de prisões após protesto em Hong Kong contra comércio paralelo com a China

Protesto contra o comércio paralelo no bairro de Sheung Shui de Hong Kong

Dezenas de pessoas foram presas neste domingo (5) pela polícia de Hong Kong após uma marcha contra o "comércio paralelo" na fronteira com a China, durante a qual coquetéis molotov foram jogados em uma delegacia de polícia.

O Partido Democrata disse que cerca de 10.000 pessoas desfilaram pacificamente no distrito de Sheung Shui, mas a violência eclodiu depois que a polícia ordenou a dispersão da manifestação.

Vários coquetéis molotov foram lançados contra a delegacia de Sheung Shui, localizada a 1,5 km do local da manifestação.

A marcha deste domingo faz parte de um crescente sentimento anti-Pequim, que desencadeou há quase sete meses protestos, às vezes violentos, na ex-colônia britânica.

Os militantes denunciam a interferência das autoridades chinesas nos assuntos internos e exigem reformas democráticas.

Neste domingo, os manifestantes denunciaram o "comércio paralelo" de milhares de chineses do continente que atravessam a fronteira diariamente para comprar mercadorias para revendê-las a preços mais altos na China.

Essa prática é muito criticada, pois causa uma escassez de certos itens nas cidades fronteiriças e aumenta os preços das mercadorias.

"Se a polícia usasse um dos carros que usou na manifestação para resolver o problema do comércio, não precisaríamos organizar essa marcha", disse Dino Chan, conselheiro local do distrito de Sheung Shui e um dos organizadores do protesto.

No total, 42 pessoas foram presas após os incidentes, acrescentou o conselheiro.

As altercações deste domingo não atingiram os níveis dos confrontos anteriores entre forças de segurança e manifestantes.