DH já sabe que Fernando Iggnácio foi atingido por cinco tiros de fuzil AK-47

Fabio Gusmão
·3 minuto de leitura
Divulgação

WhatsApp Image 2020-11-10 at 14.25.21 (1).jpeg

Divulgação

RIO — Policiais da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) já sabem que a arma usada na execução do contraventor Fernando de Miranda Iggnácio é um. Nesta terça-feira, dia 10, foram apreendidos estojos de munição calibre 762, usado nesse tipo de arma no terreno baldio ao lado da empresa Heli-Rio, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio, onde ele foi assassinado. A DHC também já sabe que, apesar de cerca de dez tiros terem sido disparados, apenas cinco balas atingiram o contraventor.

Agora, os agentes vão periciar os estojos em busca de impressões digitais, além de tentar rastrear a origem da munição. A polícia esta ciente que Fernando Iggnácio costumava ir sempre de helicóptero para a ilha em Angra dos Reis, na Costa Verde. A polícia continua em busca de câmeras de segurança próximas ao local do crime.

O atirador estaria posicionado em cima de um muro à espera do contraventor. Os disparos atingiram Iggnácio quando ele passava próximo a uma churrasqueira. A empresa Heli-Rio, onde Fernando Iggnácio foi morto, conta com circuito de vigilância, que pode pode ser útil para a investigação. O atirador pode ter tido acesso à empresa através de um dos três terrenos baldios que ficam nas proximidades. Um deles é colado à propriedade, e é maior a probabilidade de que tenha sido o local de espreita. Testemunhas relatam ter ouvido muitos tiros no local, logo após a chegada de um helióptero.

No começo da noite, três pessoas foram ouvidas pela Delegacia de Homicídios. Duas delas são funcionárias da Heli-Rio. Pouco depois das 19h, policiais chegaram à DH com HDs de que reúnem as imagens de 64 câmeras de vigilância da empresa de fretamento. Segundo Edmar Neves, da empresa Vertec de tecnologia, os policiais também checam a movimentação de quatro carros que estiveram na Rua Servientes, local que pode ter servido como rota de fuga do atirador.

Disputa em família

Fernando Iggnácio era genro de Castor Gonçalves de Andrade e Silva, que tornou-se o chefão da contravenção no Rio nos anos 70 e chegou a expandir seus domínios para o Nordeste. Ele morreu de infarto em abril de 1997, dando início a uma guerra na família pela sucessão. Ainda em vida, Castor escolhera Rogério, seu sobrinho, para comandar a contravenção na Zona Oeste e em outras áreas do estado. O filho de Castor, Paulinho, não concordou e iniciou uma batalha com o primo.

Em 1998, Paulinho e um segurança foram assassinados na Barra. O genro de Castor, Fernando Iggnácio Miranda, assumiu o lugar na disputa com Rogério Andrade. De acordo com investigações da polícia, a partir da metade dos anos 1990, Fernando Iggnácio passou a controlar a Adult Fifty, empresa que explorava caça-níqueis em toda a Zona Oeste. Em 1998, Rogério teria fundado a Oeste Rio. O próprio Rogério foi vítima de uma tentativa de assassinato em 2001.

Em abril de 2010, outro ataque: o filho de Rogério, de 17 anos, morreu num atentado na Barra. Em vez do pai, era o rapaz que dirigia um carro no qual foi colocada uma bomba. Segundo uma investigação da Polícia Federal, os contraventores César Andrade de Lima Souto e Fernando Andrade de Lima Souto estariam envolvidos no crime.