Diálogo venezuelano é retomado no México com foco nas eleições

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Governo e oposição da Venezuela voltam na sexta-feira ao México para retomar o processo de negociações em um dia que será marcado pela decisão opositora de romper três anos de boicote eleitoral e participar das eleições regionais de novembro.

Delegados do presidente Nicolás Maduro e do líder da oposição, Juan Guaidó, a quem cerca de 50 países reconhecem como presidente encarregado, vão conversar entre a sexta e a segunda-feira com base em um memorando assinado em 13 de agosto, que busca, entre outros objetivos, estabelecer um cronograma eleitoral com garantias e a suspensão progressiva das sanções.

"Ao sair daqui tenho reunião com a comissão plena, os nove delegados e delegadas, presidida por Jorge Rodríguez. Vamos nos reunir (...) para aprovar o documento, a petição que levamos à mesa de diálogo, exigências econômicas para a Venezuela", disse Maduro em discurso transmitido pela televisão.

"O primeiro ponto da nossa agenda é o eleitoral", destacou, por sua vez, uma fonte da oposição próxima das negociações.

Os principais partidos opositores anunciaram esta semana sua participação nas eleições de prefeitos e governadores de 21 de novembro, uma decisão tomada sem que Guaidó tenha expresso o que fará.

A oposição se marginalizou das presidenciais de 2018, quando Maduro foi reeleito em um pleito tachado de fraudulento e que abriu o caminho para o reconhecimento de Guaidó como presidente encarregado, embora na prática o presidente chavista exerça o controle institucional e territorial do país.

Guaidó insiste em que não há condições para a realização das eleições, mas até agora não pediu a abstenção como fez pela última vez em 2020, quando perdeu o Parlamento, que voltou às mãos do chavismo.

- "Observação internacional imparcial" -

O chavismo considera que participar de eleições equivale a reconhecer as instituições venezuelanas, tentando desmontar o discurso sustentado por Guaidó. Maduro disse, inclusive, que ao assinar o memorando no México, o opositor faz um "reconhecimento das autoridades legítimas da Venezuela".

A oposição, que busca concorrer unida, reivindica condições e garantias, e no âmbito desta luta, a reunião no México será fundamental, avaliou o analista político Oswaldo Ramírez, da empresa ORC Consultores.

"Esta rodada (de diálogo) pode se concentrar talvez na condição mais importante para muitos atores: que se obtenha uma observação internacional imparcial, o que para alguns é uma condição básica para ter a garantia de que o resultado da eleição será respeitado", explicou à AFP.

Já houve um avanço com o novo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), que tem presença da oposição, e foi designado um processo de negociação interno prévio ao México, segundo especialistas e alguns atores políticos.

"Não se pode apostar em um boicote a priori", afirmou Ramírez, sem descartar um cenário no qual "se não forem alcançadas condições de observação internacional", a oposição possa se retirar. "É como uma eventual jogada tática".

- Sanções ao petróleo -

A mesa de diálogo no México sucede as tentativas fracassadas de Barbados, em 2019, e República Dominicana, em 2018.

O Grupo de Contato Internacional, liderado pela União Europeia com países latino-americanos a fim de encontrar uma saída negociada na Venezuela, comemorou o começo "deste processo de diálogo inclusivo" e exortou "as duas partes a participarem de forma construtiva e de boa fé na mesa de negociações".

O memorando assinado em agosto menciona a "necessidade de que sejam suspensas as sanções" e nisso estão concentrados todos os esforços do chavismo, inclusive ceder no campo eleitoral.

Para Ramírez, "a estratégia dos Estados Unidos" com as sanções "acabou funcionando parcialmente". "No fim das contas, está levando Maduro a um processo de negociação", que terá seu "primeiro teste de força" com as eleições em novembro.

Ramírez não acredita, no entanto, que este processo ponha em risco a estabilidade política de Maduro.

O objetivo final da oposição é um cronograma que inclua eleições presidenciais. Portanto, não se descarta uma petição para realizá-las antes de 2024, quando devem ser celebradas por lei. No entanto, o chavismo desconsiderou este cenário em ocasiões anteriores.

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