Dia da consciência negra é celebrado no Rio com homenagens e combate ao racismo

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RIO — Entidades negras se reúnem, na manhã deste sábado, dia 20, em frente ao Monumento de Zumbi dos Palmares, na Avenida Presidente Vargas, no Centro do Rio, pelo Dia da Consciência Negra. Com os punhos levantados, entre discursos, saudações, aplausos e cânticos, os presentes proclamam: "Vidas negras importam". Em 2021, completam 50 anos da idealização da data para marcar a luta do povo negro.

— A proposta de hoje é comemorar os 50 anos do feriado de Zumbi. Não comemoramos a morte dele, mas a vida e luta dele e de Dandara. É um momento de lembrar aquele processo de mais de 300 anos de escravização negra, para que esse holocausto negro nunca mais acontece. O Brasil teve o processo escravocata mais longo do mundo. E achamos que essa abolição foi mal concluída. Pois ficamos sem trabalho e sem teto, sendo expulsos das senzalas para favelas. Continuamos na base da pirâmide social, ainda recebendo menos salários do que homens e mulheres negros. E as mulheres negras ainda recebendo menos. O Brasil assinou duas convenções da Organização Internacional do Trabalho que não cumpre: a 100, que exige trabalho igual, salário igual, e a 111, que fala de racismo no ambiente de trabalho — aponta a professora Claudia Vitalino, da Unegro.

No palco do evento, a cobrança dela é repetida. E se junta às exigências por medidas de democratização do acesso à educação, respeito à infância, e o enfrentamento às mortes de negros.

— A cada 12 minutos se mata um jovem preto no Brasil. Vou dar três exemplos do racismo no Brasil. O primeiro: dois mendigos foram entrar no shopping, sendo um branco e um negro. O branco entrou e o negro não. O segundo: a farda não defendeu um policial negro que estava com seu filho branco e foi confundido com um pedófilo. E o terceiro: Lewis Hamilton, na casta mais alta da sociedade, é vaiado por onde passa. Então o racismo acontece em todas as castas — coloca o cofundador da Frente Nacional Antirracista e da Frente Favela Brasil, Geraldo Coelho.

Vereadora do Rio, Thais Ferreira protesta:

— A nossa mensagem é sobre a infância preta que precisa ser vivida. A infância preta está sendo interrompida por todas as violações de direitos básicos. São crianças que passam pela fome, que têm aulas interrompidas nas escolas públicas por tiros, crianças que são exploradas, abusadas. Nossa infância não é segura deste o nascimento. E já os ventres sofrem com a violência obstétrica. Então dirmamos o pé para chamarmos a responsabilidade pela manutenção da vida de toda menina e todo menino preto.

Em seguida, o Maracatu Baque Mulher, regido por Tenilly, deve se apresentar no local.

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