Dia da Consciência Negra: mitos africanos se transformam em heróis de histórias em quadrinhos

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Nascido e criado em Salvador, cidade onde a herança africana segue viva nos ritos, na arte e na culinária, Hugo Canuto sempre se sentiu atraído pelos orixás, que ele descreve como “arquétipos milenares de força, coragem, sabedoria e beleza”. Tanto que, em 2016, recorreu à sua outra paixão, as histórias em quadrinhos, para homenageá-los, passando a desenhar entidades como Oxum, Oxóssi e Iemanjá com cores vivas e traços inspirados na obra de desenhistas como Jack Kirby, criador do Capitão América.

A graphic novel “Contos dos orixás” foi publicada em 2019 graças a um financiamento colaborativo, concorreu ao Prêmio Jabuti no ano passado e já está na terceira reimpressão.

Um desenho de Xangô, incluído na HQ, apareceu no filme “Space Jam: um novo legado”, com o astro do basquete LeBron James. Para desenhar os orixás como super-heróis, Canuto leu centenas de páginas sobre mitos africanos e conversou com pesquisadores da cultura iorubá, transladada da África Ocidental para o Brasil no século XIX por meio da escravidão. O baiano já prepara os roteiros para as próximas edições de “Contos dos orixás”.

— Meu desejo é que ele inspire outros artistas e sirva de instrumento de educação e de afirmação da cultura afro-brasileira diante de um cenário de intolerância — diz.

Em de certa forma, o desejo de Canuto tem se cumprido: cada vez mais artistas de várias áreas se inspiram no axé (ou seja, na força sagrada presente nas religiosidades de matriz africana).

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