Em 2 minutos, vídeo sobre mentiras do governo fez mais do que oposição em 2 anos

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Brazil's President Jair Bolsonaro talks with Citizenship Minister Osmar Terra during a National Soccer Day Cerenomy in Brasilia, Brazil July 19, 2019. REUTERS/Adriano Machado
Jair Bolsonaro e seu guru sanitário, Osmar Terra. Foto: Adriano Machado/Reuters

Futuro patrono da data, o ex-ministro Osmar Terra foi homenageado nesta quinta-feira, 1º de Abril, Dia da Mentira, pela página “Desmentindo Bolsonaro” no Twitter. O vídeo de pouco mais de dois minutos fez mais pelo país do que todas as notas de repúdio lançadas pela oposição nos últimos dois anos. Por ironia, é provável que tenha sido nesta data que a letargia tenha começado a quebrar. Já volto ao assunto.

No vídeo chama atenção a confiança do consultor extraoficial do governo Bolsonaro para assuntos pandêmicos em suas previsões furadas e tão deslocadas da realidade quanto o meio-campo da seleção brasileira no fatídico 7 a 1.

Terra tem sido desmentido pela realidade desde março do ano passado. Estranho não é que ainda seja ouvido, mas que esteja solto.

Em setembro, por exemplo, ele dizia que o surto causado por uma segunda onda de contaminações no Amazonas era invenção. “Tudo uma bobagem”, cravou, com a cara mais lavada.

Em janeiro, o estado computou 3.536 mortes, parte delas resultado da falta de oxigênio em um sistema de saúde que não se preparou para o colapso.

Nada que impedisse o ex-ministro de dizer, em 21 de dezembro, sem sinais de hesitação ou remorso, que era provável que em algumas semanas o país atingiria a imunidade coletiva, ou imunidade de rebanho, e que o surto epidêmico estava prestes a terminar. Alguém ouviu um amém?

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Tudo parecia tão certo que o presidente, apesar das quase 200 mil mortes registradas por Covid-19 em seu país, pôde sair tranquilo de férias para a praia e demonstrar, pelo exemplo, que não havia nada a temer. Ele pescou, nadou, passeou de barco, andou de jet ski e provocou aglomeração com os banhistas. O descanso do guerreiro custou R$ 2,3 milhões aos cofres públicos, contando estadia da equipe, deslocamentos com avião oficial e gastos com cartão corporativo.

Com o dinheiro, era possível comprar mais de 42 mil doses de CoronaVac, que ele se negava a adquirir àquela altura. Quem precisa de vacina quando a pandemia está no finalzinho e o risco de segunda onda era apenas conversinha?

De lá pra cá mais de 132 mil compatriotas morreram na pandemia, o Brasil virou o elemento tóxico com quem ninguém se relaciona —a ponto de todos os vizinhos, com a exceção do Paraguai, fecharem a fronteira para nós— e há quem tenha a pachorra de ir à TV dizer que fez tudo o que estava ao alcance desde o princípio e só não fez mais porque estava de mãos atadas. Acredita na conversa quem quiser. Só não reclame depois quando o 1º de Abril for lembrado como BolsonaroDay.

Em contraponto às mentiras ventiladas por quem decidiu, a essa altura, se apoiar em mentiras históricas para ressignificar os 21 anos em que nenhum brasileiro pôde votar para presidente —quem reclamava poderia apanhar, ser preso ou desaparecer porque perigo mesmo era o fantasma do comunismo, que por aqui não assombrava ninguém— seis presidenciáveis assinaram uma carta em nome da consciência democrática no país. A data era propícia. Hoje a tortura da verdade é uma picareta descontrolada a golpear a Nova República.

A simples sinalização de que Ciro Gomes, João Doria, Eduardo Leite, João Amoêdo, Luiz Henrique Mandetta e Luciano Huck estarão juntos em 2022 pode ter vindo tarde (seria melhor, claro, se estivessem unidos em 2018), mas a iniciativa está longe de ser deletéria como estratégia eleitoral.

Não se sabe quando perceberam que estão sendo engolidos pelo monstro que ajudaram a alimentar. Mas perceberam.

Fossem café com leite, não teriam sido ironizados tanto por lideranças petistas, como Lula, quanto por apoiadores bolsonaristas, que em comum preferem chegar à corrida eleitoral como o único capaz de vender “o mal” —a depender de onde se olha.

Ponto interessante é que, dos seis signatários, três são ou já foram do PSDB e um estava no comitê da campanha presidencial tucana em 2014 esperando a contagem dos votos ao lado de Aécio Neves.

Da mesma forma como os anos petistas empurraram o PSDB para a direita, a ponto de flertar com extremismos, o extremismo bolsonarista agora empurra o partido para o centro racional, um espaço em que Lula tenta fincar os pés dizendo que nunca saiu de lá.

Se o acordo manifestado na carta perseverar pelo próximo ano, o provável consenso em torno de uma terceira via está longe de ser desprezível. Em um virtual segundo turno, a dupla tirada dos seis pode chegar como favorita contra Lula ou Bolsonaro, hoje mais populares mas também desgastados e, por isso, recordistas de rejeição.

Caso fiquem no caminho, uma mudança fundamental se desenha. Por omissão ou oportunismo, nada indica que estarão ao lado do pai da mentira da próxima vez.

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