Dia dos mortos consola famílias em luto durante pandemia no México

Yussel GONZALEZ
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Familiares de Alma Delia Romero Sánchez, que morreu da covid-19, rezam na Cidade do México, em 25 de outubro de 2020
Familiares de Alma Delia Romero Sánchez, que morreu da covid-19, rezam na Cidade do México, em 25 de outubro de 2020

Patricia não conseguiu velar a mãe por causa da pandemia. É por isso que se sente aliviada ao colocar os patos de brinquedo de que gostava no altar do Dia dos Mortos, quando segundo acreditam os mexicanos o falecido retorna à casa. 

Além dessas bonecas sorridentes, a psicóloga de 48 anos enfeita as oferendas com uma foto de sua mãe María Julieta, flores coloridas, caveiras de açúcar, confetes e sua comida preferida.

Ovos com batatas, sopa de macarrão cabelo-de-anjo, frutas, biscoitos, Coca Cola e vinho branco, que nunca faltaram na mesa da mulher, que faleceu no dia 6 de julho, aos 85 anos. 

"Se tivesse colocado a oferenda com todos os patos, teria ocupado toda a casa. Nunca imaginei fazer uma oferenda com os patos, mas era o que ela mais gostava", conta Patricia Grain à AFP. 

Hipertensa e diabética, Julieta morreu em casa após dois meses em que praticamente parou de comer. O resultado positivo para coronavírus foi confirmado pouco antes de partir.

Não houve velório, apenas rosários e cerimônias virtuais por restrições sanitárias, lembra Patrícia, que, ainda vestida de preto, tenta preencher esse vazio com a oferenda, uma homenagem anual aos mexicanos que morreram. 

"É a única coisa que podemos fazer agora dentro de casa (...) É um respiro", afirma. 

Esta mesma motivação inspira outras homenagens para o Dia dos Mortos, a maior tradição do México que será comemorada no próximo domingo e segunda-feira. 

Será uma comemoração atípica, já que a maioria dos cemitérios estarão fechados por causa da pandemia que já tirou mais de 90 mil vidas no país, o quarto mais enlutado no mundo. 

Como lembrete da nova realidade, o altar em homenagem a Julieta fica entre a mesa onde a filha trabalha e a mesa onde o neto tem aulas, ambos em de forma virtual. 

Segundo a crença, no Dia dos Mortos as almas voltam para casa para conviver com seus parentes, que lhes prestam homenagens. 

Com essa fé se prepara a família de Alma Romero, que morreu aos 41 anos de uma doença pulmonar em decorrência supostamente da covid-19. 

A tristeza fica para trás quando eles montam com cuidado e alegria o altar que Alma divide com outros parentes falecidos. 

"Os mortos vão brigar, vão dizer: 'porque não colocam nada para mim?'", diz uma tia a uma das crianças para explicar porque são colocados vários pan-de-muerto, típicos dos comemoração. 

"A Coca da minha irmã, quem bebeu?", interrompe outra irmã de Alma. 

Além do refrigerante, que alguém serviu novamente, a oferenda tem velas, tequila, incensos e velas.

yug/axm/ltl/bn/cc