Dia dos Namorados e estudos clínicos sobre vibradores impulsionam procura por sex toys para serem usados a dois

Em cima da mesinha de cabeceira de Mikhaila Copello, de 30 anos, há uma caixinha de couro preta deixada ao alcance das mãos. Dentro dela, lubrificantes, dildos e outros brinquedinhos eróticos, usados em dias e madrugadas adentro quando o clima esquenta com a noiva, a padeira Raquel Leal, de 29 anos. “Abrem novas possibilidades, e o mais legal é imaginar diversas utilidades para os vibradores, basta ser criativo”, pontua a musicista, que não está sozinha no time de quem incrementa o relacionamento com dispositivos que facilitam o prazer sexual. Brincar com sex toys é, cada vez mais, um hábito entre casais que querem estreitar laços e apimentar a relação. A prática ganhou ainda mais impulso com a divulgação, no mês passado, de uma pesquisa feita pela organização acadêmica americana de saúde Cedar-Sinai Medical Center, que sugere prescrição médica desses itens às mulheres, ressaltando os benefícios à saúde íntima feminina.

A ginecologista e apresentadora Marcela McGowan faz coro às conclusões dos estudiosos. “Super funciona usar vibradores para o tratamento da região pélvica. O orgasmo, estimulado por qualquer brinquedo, ajuda a fortalecer a musculatura pélvica e a prevenir futuros problemas, como incontinência urinária e dor vulvar”, observa. “Mas precisa ser, obviamente, acompanhado caso a paciente tenha alguma questão mais grave”, explica a especialista, que inaugurou, no último domingo, sua startup de sexual care, a Ludix. “Indico, para casais héteros e lésbicos, o sugador clitoriano. É uma carta curinga.”

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A sextech Pantynova possui uma linha de vibradores focada em prazer simultâneo, como o Queer (cordinha com vibração nas duas extremidades), o Duo (dildo com vibração dupla) e uma calcinha vibratória (com estrutura que estimula o canal vaginal e o clitóris ao mesmo tempo). Heloísa Etelvina, cofundadora da loja virtual, conta que as vendas desses produtos bombam na época do Dia dos Namorados e frisa o propósito da marca em levar prazer a casais heteronormativos e à comunidade LGBTQIAP+. “As demandas que a gente mais responde por e-mail são os vibradores para casal, alguns já estão esgotados. Os feedbacks são ótimos, porque chega um momento em que as pessoas acabam entrando numa mesmice e procuram se reinventar de alguma forma. Além disso, sexo é assunto para todes, nossa proposta é nunca limitar por gênero”, explica.

A psicanalista Regina Navarro Lins afirma que os sex toys podem intensificar o prazer e melhorar a performance sexual, e vê como avanço a iniciativa das mulheres pela busca de alternativas para atingir o ápice no sexo. “Havia uma vergonha por parte delas em entrar numa sex shop, porque ao longo da história criou-se uma ideia de que mulher saudável não gosta de sexo. Hoje, muitas já percebem que têm o direito de gostar de transar e de ter uma transa prazerosa”, avalia.

Sirley Grimberg, dona do primeiro sex shop on-line do Brasil, destaca que ainda existem inseguranças a serem superadas. “Percebo que há uma timidez na primeira abordagem, ainda mais pelo estigma que é atribuído aos vibradores, impresso àqueles pênis de borracha”, diz. “Há também preocupação em como o parceiro vai encarar os brinquedos. Por isso, muitas mulheres começam com algo menor, nada bruto. Há ainda muito machismo, alguns homens veem o vibrador como concorrente. Eles precisam entender que nada substitui a pele e o beijo”, acrescenta a empresária. Entre os mais comentados da Toys em Casa, sua plataforma de workshops de produtos eróticos, ela cita o anel peniano e o vibrador de casal, do tipo We-Vibe.

O produtor musical Rodolfo Colombo, de 33 anos, assina embaixo, e até possui um vibrador em casa para usar na namorada, Ivi Bugrimento, de 38, para dar um upgrade na relação. “Já tinha o costume de usar com uma ex e nunca vi problema. Não tem como ser ruim, é um aliado e superdivertido. Me ajuda a entender as preferências dela, além de gerar uma conexão maior e mais espaço de conversa sobre sexo”, relata. A fotógrafa, no entanto, nem sempre foi mente aberta em relação ao tema. “Já tive um certo preconceito quando era mais jovem, porque não era algo naturalizado. Tive medo, eu mesma me sentia ameaçada, mas quando experimentei foi mágico.” Truque de mestre.

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