Dia Internacional da Mulher: Netflix lança coletânea de séries e filmes com curadoria feminina

Leda Antunes

Você já deve ter ficado horas escolhendo o que assistir na Netflix. Já pensou como seria receber indicações de filmes, séries e documentários de grandes estrelas que atuam à frente e atrás das câmeras? Para comemorar o Dia Internacional da Mulher, a Netflix lança nesta quarta-feira a coleção "Porque ela assistiu", que reúne títulos protagonizados e realizados por mulheres que foram escolhidos por 55 pioneiras no audiovisual, entre elas Sophia Loren, Ava Duvernay e Salma Hayek.

O objetivo da coletânea é celebrar as histórias que inspiram mulheres inspiradoras. A coleção, que estará disponível o ano todo na plataforma de streaming, foi feita em parceria com a ONU Mulheres e acompanha o tema do Dia Internacional da Mulher deste ano definido pelas Nações Unidas: "Eu sou a Geração Igualdade: Pelos direitos das mulheres." Cada título vai aparecer na plataforma com a indicação de quem o escolheu.

— O objetivo é tornar o invisível visível e provar que apenas por meio da representação e da inclusão total das mulheres nas telas, atrás das câmeras e em nossas narrativas, a sociedade vai de fato florescer — explica Anita Bhatia, diretora-executiva adjunta da ONU Mulheres.

A lista atende todos os gostos: tem série de comédia, suspense, drama, filmes de ficção ou baseado em fatos, documentários e reality shows. A grande estrela italiana Sophia Loren escolheu a série britânica “The Crown”, produção original da Netflix que narra a história da Rainha Elizabeth. Já Milli Bobby Brown, a estrela da série “Stranger Things”, escolheu o recém-lançado documentário “Miss Americana”, sobre a cantora Taylor Swift.

A curadoria também contou com a participação de seis brasileiras. Fizeram suas indicações a cineasta Petra Costa, a atriz e apresentadora Giovanna Ewbank, as atrizes Pathy Dejesus e Bruna Mascarenhas, a diretora Juliana Vicente e a executiva Andrea Barata Ribeiro.

— Fiquei muito lisonjeada de ter sido escolhida num time de mulheres tão incríveis. Qualquer movimento que fortalece o feminismo, dentro e fora do audiovisual, me interessa muito — afirma a atriz Pathy Dejesus. Ela escolheu a série “Criando Dion”, baseada em uma história em quadrinhos, que conta a história de uma mãe - uma mulher negra - que cria um filho pequeno que começa a manifestar super-poderes.

— Eu acabei de ser mãe e essa série me pegou muito quando eu assisti, porque fala da realidade de uma mãe solo, negra e com filho pequeno e de todo aquele processo de criação — conta. Mas ela ficou na dúvida. Suas outras opções eram a série "Pose", ambientada na cena drag queen de Nova York nos anos 80, e "Cara Gente Branca." A série estrelada por Pathy, “Coisa Mais Linda”, centrada na história de quatro mulheres brasileiras no fim da década de 50, foi indicada por Ewbank.

Petra Costa indicou o documentário “Feministas: O Que Elas Estavam Pensando?”, Bruna Mascarenhas o filme “Quien te cantará”, Andrea Barata Ribeiro escolheu a britânica e divertida “Sex Education” e Juliana Vicente a aclamada “Olhos Que Condenam.”

— A gente tem cada vez mais coisas boas sendo protagonizadas e produzidas por mulheres. Não é só diante das câmeras, mas eu tenho buscado ver o que elas estão produzindo, dirigindo. E tem muita mulher exigindo esse tipo de conteúdo. A consciência coletiva das mulheres está mudando muita coisa — avalia a atriz.

E não faltou diversidade nos olhares que formaram a curadoria da Netflix. Estrela do filme “Roma”, a mexicana Yalitza Aparicio — primeira atriz indígena a ser indicada ao Oscar — escolheu o documentário “Virando a Mesa do Poder”, que narra a candidatura de mulheres à eleição de meio de mandato nos Estados Unidos em 2018. Direto da Tailândia, a atriz Cindy Bishop escolheu indicar a série “Anne with an E.”

— Como é uma iniciativa global, você acaba tendo contato com o pensamento e o gosto de alguém que jamais imaginaria. Estou com muita vontade de assistir o que todas essas mulheres mundo afora escolheram — completa Pathy.

Títulos de impacto

Muitos dos títulos escolhidos para a coleção "Porque ela assistiu" causaram impacto e iniciaram debates importantes, muitas vezes difíceis, que nos fizeram refletir sobre o modo como encaramos o mundo. Entre eles está "Orange is The New Black", estrelado pela atriz Laverne Cox, que fez sua própria indicação para a coleção: o documentário inspirador "Brené Brown: a call to courage."

— Ter um mundo em que todos são de fato representados é o significado de uma democracia de verdade. E poder nos ver nos permite vislumbrar possibilidades infinitas, para nós e para os outros — afirmou a atriz. Ela conta que "Orange is The New Black", que tinha uma mulher no comando e inúmeras mulheres na direção, roteiro e produção, foi o primeiro projeto que a fez sentir "genuinamente empoderada."

— A série criou um espaço e uma plataforma para mim como mulher negra abertamente trans que abriu espaço para outras mulheres abertamente trans de todas as raças serem realmente vistas em nossa profunda humanidade.

Quer ver o que cada uma escolher? A coleção está disponível a partir desta quarta-feira (4) em netflix.com/porqueelaassistiu, ou buscando "Porque ela assistiu" na Netflix.